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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Um mês sem respostas efetivas do Governo de Pernambuco à tortura e à ameaça de morte sofrida pela Pescadora Maria Nasareth


POR 2017 foi sangrento', aponta balanço da Comissão Pastoral da Terra ...

NOTA
A pescadora tradicional Maria Nasareth dos Santos foi torturada e ameaçada de morte por oito Policiais Militares no estuário do Rio Sirinhaém, no município de mesmo nome, localizado no Litoral Sul de Pernambuco. O crime bárbaro e chocante aconteceu no dia 12 de março de 2020. Hoje, após mais de um mês do ocorrido, a pescadora ainda aguarda medidas efetivas por parte da Secretaria de Defesa Social do Estado quanto à investigação para identificação e punição dos criminosos. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) alerta que a ausência de uma atuação enérgica por parte dessa Secretaria deixa a pescadora vulnerável e exposta a um novo e fatal ataque. 
Desde o dia posterior às inaceitáveis violações, Nasareth, acompanhada da CPT, realizou uma verdadeira peregrinação para reivindicar de órgãos do Estado a implementação de medidas protetivas emergenciais e a investigação para identificar e punir os criminosos. Após a realização de várias reuniões e apelos por proteção e justiça, a inclusão de Maria Nasareth no Programa Estadual de Proteção a Defensores de Direitos Humanos (PEPDDH) deu-se no último dia 03 de abril. No entanto, passados mais de um mês do ocorrido não se viu providências efetivas e eficazes sendo tomadas por parte das autoridades competentes do Governo do Estado quanto à apuração do crime. A informação que a CPT tem conhecimento é de que não há previsão de finalização dos procedimentos investigatórios para identificação dos Policiais envolvidos na tortura nem de destacamento de força policial para garantir a proteção de Nasareth.
A tortura sofrida por Nasareth e praticada à luz do dia por agentes do Estado é um retrato do cenário atual de escalada da violência contra camponeses e camponesas em Pernambuco e no país. A vida e a segurança de Nasareth dependem neste momento de uma ação enérgica do Estado, a que ela tem direito e em relação a qual o Governo tem exclusiva responsabilidade. Nesse caso, a omissão do Estado torna-se-á tão grave e cruel quanto o próprio crime cometido. A CPT seguirá fiel à sua missão de denunciar todas as atrocidades cometidas contra os povos da Terra, das Águas e das Florestas e lutará incansavelmente para que os responsáveis pelos crimes cometidos pelo Estado e pelo latifúndio não adormeçam impunes.
Maria Nasareth dos Santos - Pescadora Tradicional, 47 anos, é conhecida na região por ser defensora do manguezal e do meio ambiente e por lutar há mais de 15 anos pela criação de uma Reserva Extrativista na área da qual dependem milhares de pescadores e pescadoras do município. A mulher nasceu nesse estuário, em uma comunidade tradicional formada por pescadores e pescadoras artesanais e extrativistas costeiros marinhos que gradativamente foram removidos a força da área, de forma violenta, pela Usina Trapiche entre as décadas de 1980 e 2010. Por sua resistência no local e atuação destemida, Nasareth se tornou um dos principais alvos das ações truculentas da Usina Trapiche e de policiais do local, como recorrentes intimidações, ameaças e destruições de sua barraca. A violência sofrida pela pescadora, contudo, chegou a um nível extremo e alarmante com o ocorrido no dia 12 de março.
O crime - Eram 6h30 do dia 12/03 quando duas viaturas da Polícia Militar chegaram ao local onde a pescadora Maria de Nasareth costuma pescar, no estuário do Rio Sirinhaém. De dentro dos veículos, desceram oito policiais fortemente armados, sendo três encapuzados. Ao se aproximar para saber do que se tratava, a pescadora, que estava sozinha na ocasião, conta que foi arrastada pelos homens para dentro de sua barraca de pesca. Foi então que o horror começou. Sem saber o porquê, a mulher relata que os policiais a torturaram, amarrando suas mãos para trás, tapando sua boca com um pedaço de pano e sufocando-a com uma sacola plástica. Nasareth lembra que foram cinco sufocamentos, com intervalos de alguns minutos entre um e outro.  Ainda de acordo com a pescadora, todos os policiais estavam de luvas, e, enquanto uns praticavam a tortura, outros reviravam a barraca.
Os policiais também agrediram a pescadora com tapas na cara enquanto afirmavam “essa terra não é sua, é da usina” e que estariam fazendo “aquilo” a mando do Presidente Bolsonaro, conforme seu relato. A tortura durou cerca de 30 minutos. A pescadora ainda conta que, após ser solta pelos policiais, foi ameaçada de morte caso denunciasse o ocorrido. Na semana que antecedeu o crime, lembra Nasareth, esses mesmos policiais foram vistos circulando na área, acompanhados, algumas vezes, por funcionários da Usina Trapiche.

16 de abril de 2020
Comissão Pastoral da Terra Pernambuco

Pastores que desafiaram isolamento social morrem vítimas de coronavírus

Gerald Glenn, Landon Spradlin e Mario Salfate

Um pastor evangélico dos Estados Unidos que havia contestado as orientações para manter distanciamento social durante a pandemia da Covid-19 e manteve os cultos na sua igreja morreu no último sábado (11).
Gerald Glenn era o líder da igreja evangélica New Deliverance, na cidade de Chesterfield, no estado da Virgínia. A congregação pentecostal divulgou a morte do líder religioso no domingo (12) em uma rede social.
Em uma fala aos membros de sua congregação no dia 22 de março, Glenn falou sobre o coronavírus. De acordo com a mídia local, ele afirmou: “Eu acredito firmemente que Deus é maior que esse vírus amedrontador. Os jornais da região também relataram que Glenn disse que seguiria pregando “a não ser que estivesse na cadeia ou no hospital”.
No dia 30 de março, por ordem do governo do estado, o líder religioso foi obrigado a ficar em casa, isolado. A viúva de Glenn também foi infectada com o vírus.
Em um texto em uma rede social, a filha do casal pediu para que as pessoas entendam a gravidade e severidade da doença. “Não é só sobre você, é sobre cada um ao redor de nós”, escreveu.

“Histeria para derrubar Trump”

No último dia 26 de março, um outro pastor cristão já havia morrido vítima de coronavírus. Landon Spradlin, de 66 anos, também era da Virgínia (EUA) e expressou uma visão negacionista sobre a pandemia.
Apoiador de Donald Trump, Landon afirmou que a mídia estava fabricando uma “histeria em massa” para derrubar o presidente norte-americano.

Morte após culto

No Chile, um bispo evangélico morreu de coronavírus nesta terça-feira (14). Mario Salfate, de 67 anos, conduziu um culto para centenas de pessoas no final de março em uma cidade perto de Santiag. Na época, o governo chileno já havia anunciado medidas de isolamento social.
Salfate presidiu um culto em 16 de março, com a participação de cerca de 300 pessoas na cidade de Paine. Três outros pastores evangélicos foram infectados na ocasião.
A morte do pastor ocorre em meio a uma grande polêmica pelos insistentes apelos de alguns pastores evangélicos para continuar com as cerimônias religiosas e desafiar o coronavírus.

Após fugir da escravidão, ela libertou outras 300 pessoas ao longo da vida

Nas imagens (da esquerda para a direita), a atriz Cynthia Erivo e Harriet Tubman.

POR Observatório do 3° Setor

Por: Isabela Alves
Araminta ‘Harriet’ Ross nasceu em Maryland, estado localizado nos Estados Unidos, por volta de 1822. Seus pais e Harriet eram escravizados, e ela começou a trabalhar aos 5 anos de idade. Era frequentemente maltratada e, aos 12 anos, já foi submetida a duras jornadas de trabalho no campo. 
Em 1849, prestes a completar 30 anos, ela fugiu para a Pensilvânia, o estado vizinho livre da escravidão. Não se sabe ao certo como conseguiu fugir, mas historiadores apontam que ela provavelmente usou uma via subterrânea secreta que escravizados e simpatizantes do abolicionismo conheciam.
Nesta época, ela mudou o seu nome para Harriet Tubman para esconder os registros de sua fuga. Depois ela se mudou para a Filadélfia e começou a trabalhar como doméstica. Foi nesta época em que começou a fazer amizade com abolicionistas. 
Em 1850, foi estabelecido o Ato dos Escravos Fugitivos, que dizia que caçadores da região poderiam levar os fugitivos aos seus donos. E que aqueles que ajudassem os fugitivos seriam severamente penalizados.
Mesmo nestas condições, ao longo de onze anos, Harriet realizou viagens em prol dos resgates. Entre aqueles que resgatou estavam seus familiares. Ela também passou a instruir os escravizados sobre como eles poderiam escapar. Estima-se que, ao todo, ela tenha resgatado 300 pessoas da escravidão.
Ela viajava durante o outono e inverno, épocas em que muitas pessoas estavam em casa, e se infiltrava nas plantações para salvar as pessoas. Os escravizados tinham folga aos domingos, então ela se planejava para que os resgates ocorressem aos sábados à noite. Assim, a falta deles só seria sentida na segunda de manhã. 
Posteriormente, ela se tornou a primeira mulher a liderar um ataque armado na Guerra Civil americana. Ela ajudou o Exército da União durante a guerra, trabalhando como espiã, entre outros papéis. Depois que a guerra acabou, ela se dedicou a ajudar ex-escravizados pobres e idosos.
Ela também se engajou na luta a favor do voto feminino e passou a frequentar reuniões organizadas por sufragistas. Nas reuniões, ela falava sobre como a sua história de vida era uma das razões por que as mulheres deviam ter os mesmos direitos que os homens. Ela morreu no dia 10 de março de 1913, aos 90 anos. 
Em homenagem à sua vida, em 2016, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos colocou a imagem de Tubman na nota de US$ 20. Em 2019, a Focus Featured produziu o filme ‘Harriet’, com Cynthia Erivo, Leslie Odom Jr. e Janelle Monáe no elenco. O filme foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Canção Original.  

Condições das aldeias geram preocupação com saúde dos indígenas

Foto: Júlia Pereira

PORObservatório do 3° Setor

Por: Júlia Pereira
O novo coronavírus representa uma ameaça a toda a população mundial. Mas certos grupos estão especialmente vulneráveis, seja por questões de saúde, seja por questões sociais e políticas. É o caso das comunidades indígenas brasileiras.
As experiências históricas mostram que epidemias têm uma capacidade muito maior de disseminação em comunidades indígenas. “No geral, eles têm um grau de convívio muito maior, seja em momentos de compartilhamento de comida, banho no rio, rituais que fazem parte do cotidiano da aldeia”, explica Ana Lúcia Pontes, coordenadora do GT Saúde Indígena da Abrasco e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz).
Outra questão que agrava a saúde indígena é a falta de infraestrutura. Os indígenas têm pouco acesso ao saneamento básico. Muitas vezes, eles não têm nem mesmo acesso suficiente a água potável. “Se a grande estratégia de prevenção do coronavírus, além do isolamento, é a higienização de mãos e de produtos, eles [indígenas] têm desafios para conseguir garantir essas medidas”, ressalta Ana.
A ignorância pública sobre a Saúde Indígena no Brasil
Aldeia Tekoa Pyau (SP) | Foto: Júlia Pereira
Mortalidade indígena
Pesquisadores e especialistas apontam que o grau de mortalidade de indígenas é de duas a três vezes maior em comparação a não-indígenas. 
Segundo Douglas Rodrigues, médico sanitarista, professor e pesquisador do Projeto Xingu da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), essa taxa é resultado de dois fatores.
O primeiro fator é biológico, já que alguns grupos indígenas vivem isolados e, quando entram em contato com um vírus pela primeira vez, acabam tendo complicações maiores, pois seu sistema imunológico não está preparado para defender o organismo contra aquele tipo de doença.
Esse contato com os vírus e doenças se dá, muitas vezes, pela invasão de não-indígenas nos territórios, interessados na posse ilícita de territórios e na extração ilegal de matéria-prima, como ocorre no caso dos madeireiros.
Essas pessoas partem dos centros urbanos, onde a ocorrência de doenças é maior, e carregam consigo os vírus para os territórios indígenas. “O que o Governo deveria fazer primeiro? Proteger os territórios, tirar garimpeiro, tirar madeireiro, que é um dever do Estado”, destaca o médico.
Mesmo durante a pandemia, as ações ilegais não param. No fim de março, indígenas Karipuna relataram ouvir ruídos de máquinas e motosserras próximos à aldeia, mostrando que os invasores voltaram às atividades ilegais no território tradicional. O comunicado foi divulgado pela Associação do Povo Indígena Karipuna (Apoika), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Greenpeace Brasil.
O segundo fator é social, pois essas comunidades não são bem assistidas pelo sistema público de saúde e, quando os indígenas que vivem nelas adoecem, têm pouco amparo neste sentido. “De uma forma geral, a situação de saúde dos indígenas no Brasil é pior do que a dos brasileiros como um todo, as políticas públicas não chegam a eles com intensidade, eles têm dificuldade de acesso ao sistema de saúde”, explica o médico sanitarista.
Reivindicações do movimento
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), associação nacional de entidades que representam os povos indígenas do País, está atuando fortemente neste momento para orientar sobre a importância de ficar na aldeia, além de não receber ninguém de fora do território que possa carregar consigo o vírus.
A APIB também encaminhou uma carta aos governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, solicitando que sejam adotadas medidas especiais de proteção aos povos indígenas durante a pandemia. 
Entre essas medidas está a disponibilização de uma casa de apoio específica para atender os casos de coronavírus das aldeias. “Hoje, existem as CASAIs, Casas de Saúde Indígena, mas elas não têm condições nem de atender os casos que já existem de outras doenças, imagina atender coronavírus? Não suporta”, afirma Sônia Guajajara, coordenadora executiva da APIB.
A ignorância pública sobre a Saúde Indígena no Brasil
Crianças brincando na aldeia Tekoa Pyau (SP) | Foto: Júlia Pereira
A associação também tem pressionado fortemente o Governo Federal para que seja adotado um Plano de Ação Emergencial para evitar os riscos de contaminação nos territórios indígenas, como por meio do fortalecimento do sistema de Saúde Indígena.
“Nós temos que pressionar o Governo Federal para construir hospitais de campanha ou mesmo hospitais comuns para atender especificamente os povos indígenas”, diz Sônia, que ressalta que os hospitais de campanha que estão sendo construídos em grandes centros urbanos são de difícil acesso aos povos indígenas de regiões mais afastadas.
A coordenadora da APIB ressalta que, com pouco investimento nos equipamentos de saúde voltados aos povos indígenas, o resultado pode ser um aumento no número de mortes. “Se a gente aguardar por esse atendimento na fila do SUS [Sistema Único de Saúde], como está sendo, pode ser que os indígenas não resistam considerando a imunidade baixa que já não resiste a tantas doenças”, finaliza.
A Saúde Indígena no Brasil
Em outubro de 2010, foi criada a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), responsável por coordenar e executar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas no SUS. A pasta foi dividida em três áreas: Departamento de Gestão da Saúde Indígena, Departamento de Atenção à Saúde Indígena e Distritos Sanitários Especiais Indígenas
Em 2019, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, divulgou o plano de extinguir a Sesai e colocar a saúde indígena a cargo de uma futura secretaria de Atenção Básica. Outras atividades que não fossem atribuídas a ela seriam assumidas por estados e municípios. 
No caso das políticas indigenistas, existe um histórico de conflitos de interesses quando as medidas são geridas pelo poder municipal, porque, frequentemente, nos interiores do Brasil, os secretários municipais são os mesmos que disputam as terras com as comunidades indígenas.
Além disso, segundo Ana Lúcia Pontes, coordenadora do GT Saúde Indígena da Abrasco e pesquisadora da ENSP/Fiocruz, a Secretaria de Atenção Básica não considera as especificidades dos grupos indígenas. “Isso pode impactar na saúde, seja na questão que são comunidades que falam uma língua diferente, seja porque elas têm práticas e concepções de saúde distintas e a organização da Atenção deve considerar tudo isso”, explica.
O movimento indígena, então, reuniu-se com Mandetta com o objetivo de fazer com que o ministro recuasse na medida. A manifestação das organizações foi atendida e a Sesai, mantida.
Mesmo mantendo a Secretaria, por meio do decreto nº 9.795, o ministro retirou algumas estruturas importantes em termos de gestão do sistema, como o Departamento de Gestão da Saúde Indígena. Tais funções passaram para outros departamentos, colocando o movimento em sinal de alerta sobre estar havendo um processo de enfraquecimento da Sesai, além de uma ameaça às práticas tradicionais e a independência de gestão dos povos indígenas.

Estudo encontra ponto fraco do coronavírus

Foto: Razões de Cuba

PORRazões para Cuba


O SARS-CoV-2 é coberto com espinhos que servem para aderir ao corpo humano. Esses picos são protegidos por açúcares conhecidos como glicanos, e sua função é mascarar as proteínas do vírus para ajudar o vírus a escapar do sistema imunológico do corpo em que foi introduzido.
Vírus mortais costumam estar bem preparados para lidar com o sistema imunológico humano. Por exemplo, o HIV "precisa fugir constantemente do sistema imunológico e possui um capsídeo muito espesso formado por glicanos como um escudo para o sistema imunológico", explica o professor Max Crispin, diretor de pesquisa da universidade britânica.
A boa notícia é que esse não é o caso do coronavírus. O SARS-CoV-2 está de acordo com o formato "bater e correr", segundo os pesquisadores, pois tende a passar de uma pessoa para outra.
"Quando cobertos de açúcar, os vírus são como lobos que se parecem com ovelhas. Mas uma das principais conclusões de nosso estudo é que, independentemente de quantos açúcares você tenha, esse coronavírus não é tão protegido quanto alguns outros vírus ", diz Crispin.
Como o estudo explica, uma densidade mais baixa de glicanos no vírus facilita o nosso corpo para neutralizá-lo com a ajuda de anticorpos. "Esta é uma mensagem muito encorajadora para o desenvolvimento da vacina", conclui o especialista.
(Fonte: Sputnik)

Usando máscara em um país racista


POR Esquerda Diário

A pandemia do COVID-19 tornou a natureza racista dos EUA capitalismo descaradamente óbvio. Os negros estão morrendo a taxas incríveis. Em St. Louis, toda morte pelo COVID-19 foi de uma pessoa negra. Em Chicago, os negros representam 70% do número de mortos. Em várias cidades do país, os negros estão altamente representados no número de mortes relacionadas ao vírus.
Os negros têm taxas de infecção pelo COVID-19 desproporcionalmente altas, e isso não ocorre porque, como o cirurgião-geral dos EUA nomeado por Trump, Jerome Adams, sugere, que os negros americanos devem "evitar álcool, tabaco e drogas". A razão é que os negros foram privados de assistência médica adequada e acesso a alimentos saudáveis e água limpa. (Flint ainda não tem água limpa!)
Drogas e álcool foram trazidos para a comunidade negra para desestabilizar comunidades que estavam se radicalizando na década de 1970 - especialmente o crack. As administrações republicana e democrata atacaram conscientemente os serviços sociais, fecharam hospitais e reduziram os orçamentos nos bairros negros. Além disso, os negros são culpados pelo que lhes foi feito pelo capitalismo e pelo imperialismo.
Ainda assim, os negros precisam sobreviver e muitos ainda estão trabalhando em empregos como fast food, mercearias e na saúde. Mas quando deixamos nossas casas, existe o medo perpétuo - e agora a pergunta: mascarar ou mascarar?
Com máscara:
Muitas cidades, como Los Angeles, estão ordenando que as pessoas usem máscaras quando saem de casa para diminuir a propagação do vírus. Claramente, isso inclui pessoas negras. No entanto, quando os negros usam máscaras, o risco de ataques aumenta. As redes sociais estão cheias de histórias de negros sendo seguidos nas lojas e incomodados por usar uma máscara. Já existe um histórico de negros sendo perseguidos nas lojas por suspeitas infundadas de roubo. Além do mais, ser negro e usar uma máscara na rua pode ser extremamente perigoso por causa dos comichões nos dedos dos policiais racistas.
Sem máscara:
Ao mesmo tempo, os negros tem sido atacados por não usar máscara. A consequência geralmente não é apenas uma simples multa ou um aviso da polícia, mas uma repressão brutal. Na Filadélfia, um negro foi arrastado à força do ônibus por não usar máscara. Existem inúmeras outras histórias de pessoas negras sendo atacadas pela polícia por não usarem máscara.
...
Em outras palavras, você se dá mal se fizer e se dá mal se não fizer - nada de novo para os negros que vivem em uma sociedade racista. Então, o que devemos fazer? Usar máscaras e nos organizar! Esse vírus é mortal e não há proteção pelos chefes, capitalistas ou governo. Devemos nos organizar em nossos sindicatos, locais de trabalho e comunidades.
Precisamos continuar a construir uma luta da classe trabalhadora contra o racismo. Não somos as únicas vítimas - também há um aumento de ataques a asiáticos, nativos e latinos apenas por existir nos EUA, um país fundado e alimentado pela violência racista. Todas as pessoas oprimidas fariam bem em vincular nossas lutas para construir uma luta anticapitalista comum, com base nos trabalhadores. Precisamos de trabalhadores de todas as raças e etnias defendermos uns aos outros. Precisamos proteger uns aos outros dos ataques racistas e do COVID-19.
Texto publicado originalmente em Left Voice.

sábado, 11 de abril de 2020

COVID - 19 no mundo: sem máscaras, quarentenas e muitos testes, o vírus não será contido, alertam especialistas chineses

O povo de Wuhan volta gradualmente ao normal após uma quarentena rigorosa de quase 80 dias. Foto: Reuters.
POR CUBADEBATE

Especialistas chineses do Hospital Leishenshan, construído em menos de duas semanas para combater o coronavírus em Wuhan, alertaram que o uso obrigatório de máscaras faciais é essencial para conter o surto de COVID-19.
"Não usá-los é estúpido", disse Wang Xinghuan, diretor do hospital Zhongnan e chefe do hospital Leishenshan durante uma visita guiada à mídia.
Segundo Wang, o uso de máscaras faciais entre a população é "uma medida científica de proteção" e também serve para impedir que trabalhadores médicos sejam infectados. "Se não forem usados, a epidemia não pode ser controlada", afirmou.
Wang explicou que as quarentenas impostas para impedir a expansão do surto devem ser rigorosas, como a que foi realizada em Wuhan por semanas e garantiu que "os voluntários em casas particulares não trabalham".
O especialista acrescentou que "são necessários muitos testes para detectar os doentes e os assintomáticos, ou aqueles que precisam ser isolados fora da casa particular para que não infectem outros".
Também recomendou que os pacientes recuperados do COVID-19 fossem colocados em quarentena por duas semanas após a alta por precaução.
Enquanto isso, o vice-diretor do hospital de Zhongnan e o especialista em emergências Zhao Yan disse que o vírus e seus sintomas podem se manifestar "de maneira diferente no Ocidente em comparação à China".
"A perda de paladar e olfato, por exemplo, variou na Europa e nos Estados Unidos. Isso nos faz pensar que o vírus está mudando. Precisamos de cooperação ", disse ele, acrescentando que a coisa mais importante agora é" prevenir surtos ".
"A vigilância ainda é essencial em Wuhan", disse Wang.
Na cidade, local de nascimento da pandemia, existem agora 44 casos suspeitos de infecção pelo vírus, de acordo com os dados mais recentes oferecidos neste sábado pela Comissão Nacional de Saúde da China.
Além disso, duas pessoas morreram em Wuhan nas últimas 24 horas, elevando o número total de mortes nesta cidade até agora para 2.577, segundo a agência.
A ausência prática de novos casos confirmados (Wuhan acrescenta 50.008 contágios dos 67.803 detectados na China) levou as autoridades a suspender as restrições impostas a seus habitantes em 8 de abril, após 11 semanas de quarentena rigorosa.
Wuhan conseguiu reverter a situação, entre outros fatores, graças à rápida construção de hospitais como o de Leishenshan, que começou a admitir pacientes em 8 de fevereiro.
O centro tem capacidade para cerca de 1.500 leitos, e atualmente apenas 14 pacientes permanecem lá.
Nas paredes estão as assinaturas, agradecimentos e mensagens escritas de encorajamento para os médicos durante os piores episódios do surto.
Foi o segundo dos hospitais construídos poucos dias depois de Huoshenshan, cujo trabalho começou em 23 de janeiro.