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domingo, 20 de dezembro de 2020

Gean Ramos Pankararu conquista o 1º Lugar em Festival Nacional da Canção

Gean Ramos Pankararu - Grande vencedor do Festival Nacional da Canção

 
De 10 a 12 de Dezembro 2020, aconteceu na cidade de Juazeiro da Bahia o Festival Nacional da Canção Edésio Santos.

O Festival contou com inúmeras inscrições de todo Brasil, que resultou em três noites de grandes apresentações em um nível respeitável e de grande concorrência entre os participantes.

O grande vencedor foi a música indígena contemporânea que levantou dois troféus. Em primeiro lugar a música Se Urú Obaí de Gean Ramos Pankararu e em segundo lugar com a música O tempo do Amor, composição de Eugênio Cruz que teve como interprete o próprio Gean Ramos Pankararu.

A música indigena contemporânea chega forte e com grandes representantes, demonstrando a importância e a força de um estilo musical identificado com as raízes históricas e a luta de resistência dos povos tradicionais. 

Gean Ramos é Pankararu, um dos precursores dessa movimentação da música indígena contemporânea, com 20 anos de carreira e uma história de conquistas, seu trabalho segue abrindo caminhos e conquistando respeito.

Assista aqui o vídeo de Gean Ramos Pankararu, com a música Se Urú Obaí:





sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Últimos dias de inscrições para seleção de novos alunos dos cursos técnicos do IF SERTÃO-PE Campus Floresta


 
Até o dia 20 de dezembro os interessados em ocupar uma das 205 vagas ofertadas para 2021 no Campus Floresta do IF SERTÃO-PE podem realizar a inscrição on-line pelo site https://aluno.ifsertao-pe.edu.br. As oportunidades são nos cursos de Técnico em Agropecuária (nas modalidades Ensino Médio, e Subsequente- para quem já terminou o ensino médio), Técnico em Informática (Ensino Médio) e Técnico em Administração (PROEJA - para maiores de 18 anos). 

A inscrição e os cursos são gratuitos. Os cursos de Ensino Médio Integrado ao Técnico e PROEJA têm duração de 03 anos, e o Técnico Subsequente tem duração de 18 meses. Não há prova, a seleção será realizada por meio da análise das notas do histórico escolar, assim, para realizar a inscrição é necessário digitalizar ou fotografar o CPF e o histórico escolar, ou uma declaração emitida pela escola de origem.

Metade das vagas são exclusivas para estudantes oriundos do escolas públicas. Dentro desse percentual também serão reservadas vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas e para pessoas com deficiência. Para concorrer às vagas reservadas devem estar atentos aos documentos exigidos para o preenchimento do formulário de autodeclaração, como, por exemplo, um documento oficial de identificação com foto, uma fotografia no estilo selfie; e no caso dos indígenas o Registro Administrativo de Nascimento de Indígena, ou carteira/declaração assinada pelo cacique da comunidade indígena a qual o candidato pertença.

O resultado final está previsto para 04 de fevereiro. Outras informações, como cronograma completo, orientações sobre documentação e demais dados estão disponíveis nos editais. Caso o candidato tenha dúvidas, poderá enviar um e-mail para cf.selecao@ifsertao-pe.edu.br, uma mensagem para o Whatsapp (87) 9922-7302 ou ainda entrar em contato pelas redes sociais do campus, perfil @ifsertaope.floresta no Instagram, e IFSertaoPE.Floresta no Facebook.



sábado, 16 de maio de 2020

Diocese de Floresta emite nota de pesar pelo falecimento de Dom Ceslau Stanula


Na data de ontem a Diocese de Floresta, no sertão pernambucano, emitiu Nota de Pesar pelo falecimento do Bispo Emérito de Itabuna na Bahia, Dom Ceslau Stanula, ocorrido na noite do dia 14 de maio de 2020.

A nota assinada pelo Bispo Diocesano Dom Gabriel Marchesi, destaca a importância da atuação pastoral de Dom Ceslau quando foi Bispo Diocesano de Floresta e expressa profundos sentimentos pela sua partida, ao mesmo tempo que manifesta gratidão por sua convivência com os diocesanos de Floresta e região.

Confiram a Nota na íntegra:



domingo, 3 de maio de 2020

A batalha histórica dos índios que derrotaram o exército dos Estados Unidos



LITTLE BIGHORN

O passado nunca nos abandona, pois sua presença nas mentalidades nos assombra. Assim ocorre com a Batalha de Little Bighorn (1875), seus soldados e comandantes. O fantasma do General Custer e sua cavalaria de conquista, vigilância militar, remoção e confinamento em reservas foram invocados dos EUA e convocados para comparecer ao Brasil para justificar a espoliação dos povos indígenas.

Little Bighorn foi um combate entre o 7º regimento de cavalaria do Exército dos Estados Unidos contra uma confederação entre os índios Lakota e Cheyenne do norte. Foi a mais famosa das chamadas guerras indígenas com vitória para os índios durante os dias 25 e 26 de junho de 1876 perto do rio Little Bighorn, Território de Montana. 

A cavalaria dos EUA foi comandada pelo tenente-coronel George Armstrong Custer, considerado herói da guerra civil, que perdeu todos os seus soldados.

Ao avistar o acampamento indígena nas margens do rio, dividiu seus homens em quatro grupos, mesmo avisado por dois batedores indígenas de que se tratava de um grande grupo. Custer era militar experiente, mas também ávido por patentes e político habilidoso. 

Avaliou que os índios fugiriam ao primeiro sinal de ataque e decidiu atacar sem esperar os reforços. Seus comandantes logo perceberam que o grupo Lakota e Cheyenne era numeroso e não fugiria, decidiram abrir fogo a distância e bater em retirada, mas foram atacados ferozmente e fugiram, sendo socorridos por outra coluna de Custer.

Quando finalmente chegou Custer pelo norte da aldeia, seus soldados do sul haviam sido totalmente repelidos, Cavalo Louco (Tȟašúŋke Witkó) simulou fugir, mas retornou e atacou o flanco dos 210 homens de Custer. Tiveram de sacrificar seus cavalos para tentar se proteger, mas foi em vão. 

Foi um desastre militar histórico que levou o exército a investigar as causas. Concluíram que houve desde alcoolismo até covardia dos comandantes. Tornou-se um ponto de honra para o exército americano esmagar os índios e eliminar todos os seus meios de subsistência, empurrando-os para as reservas e prisões.

Por que lutaram os índios? 

Garimpeiros desrespeitaram o Tratado de Fort Laramie, assinado em 1868 com o chefe cheyenne Coyote Pequeno (Ó'kôhómôxháahketa) e matarem o líder Falcão Pequeno (Čhetáŋ Čík’ala), pai de Cavalo Louco. 

No inverno de 1875, as terras sagradas de Black Hills, dos índios Sioux e Cheyenne, foram invadidas por garimpeiros atrás de ouro nas terras indígenas. Os índios foram forçados a deixar as terras e se refugiar em Montana, junto ao xamã e líder Touro Sentado (Tȟatȟáŋka Íyotake). 

Na primavera seguinte, houve duas campanhas militares da cavalaria nas quais os militares saíram vitoriosos. Um relatório da Inspetoria Indígena levou ao envio de uma força para atacar o grupo de Touro Sentado e Cavalo Louco, chefes do povo Sioux, considerados contrários aos interesses norte-americanos e inimigos do progresso. 

A confiança de Cavalo Louco e seus seguidores vinha de uma visão profética de Touro Sentado.

Touro Sentado foi assassinado em 1890 na prisão da reserva indígena Standing Rock (Dakota do Sul), pois estimulava a prática de danças tradicionais. Cavalo Louco também morreu na prisão em 1877, após ser ferido pelos guardas de Fort Robinson (Nebraska).

Atualmente, os remanescentes indígenas nos EUA formam uma população de 5.220.579 indivíduos, constituindo 1.6% da população total do país, segundo informações do censo de 2010.

REFERÊNCIAS E FONTES:
The North American Indian, v. III. Cambridge, MA: The University Press, 1908.

NOTAS:
1. Pesquisa, organização e adaptação: Neimar Machado de Sousa, doutor em história da educação (UFSCar) e pesquisador (FAIND/UFGD). Karai Nhanderovaigua. E-mail: neimar.machado.sousa@gmail.com
2. O artigo tem objetivo educacional e formato adaptado às mídias sociais.
3. A grafia adotada para as palavras indígenas segue as fontes consultadas.
4. METADADOS: little big horn, crazy horse,
5. IMAGEM: PEARSON, J. Black Elk (primo de crazy horse e testemunha de sua bravura). 2019.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

O que está por trás do discurso de ódio





Lamentavelmente, no panorama europeu de renascimento do neofascismo, a Espanha já não é uma exceção. Ela acaba de ser tingida, quase de surpresa, com as pinceladas da cor obscurantista e xenófoba que estão avançando por toda parte no Velho Continente, a cor da ultradireita. Demonstra-se, mais uma vez, a sagacidade da afirmação do grande Dom Quixote: “Não há memória que o tempo não apague”.

Embora a Espanha tenha no momento apenas um grupo minúsculo, o Vox, ele é parte de uma onda de nacional-populismo neofascista que se espalha pelo mundo todo de maneira traiçoeira. Está se abrindo, sem dúvida, uma nova era de desafios importantes e sérios que as democracias terão de enfrentar, provavelmente durante umas décadas. É inegável que a globalização liberal posta em marcha no final do século passado entrou em uma fase crítica, devido à sua patente e consciente desregulação caótica, responsável por suas contradições atuais. A busca de um novo equilíbrio econômico-social planetário é, portanto, imprescindível. Enfrentar o desafio deste novo período exige imperativamente que as democracias encontrem modelos econômicos e sociais que apostem, de forma efetiva, na eliminação da grande brecha atual da desigualdade, na solidariedade, que são expectativas da imensa maioria da população arraigada na civilização do respeito mútuo e da dignidade. Ao mesmo tempo, no entanto, chama a atenção o aparecimento − como consequência dos efeitos desagregadores da globalização − de camadas sociais reacionárias étnica, cultural e politicamente, que se identificam com um discurso de ódio de experiência remota. Trata-se de uma tendência mundial, cujas características comuns são tão importantes quanto suas diferenças.

Nos EUA, a ascensão de Donald Trump veio acompanhada de uma mudança de fundo, ao mesmo tempo demográfica e racial: os trabalhadores brancos de Kansas, Detroit, Texas e outros lugares do país apoiam o magnata imobiliário porque ele promete frear a chegada dos latinos, não pagar serviços sociais aos afro-americanos, acabar com o relativismo dos valores. Eles não temem apenas perder o emprego por competir com outros países, eles também têm medo dos fundamentos da igualdade institucionalizada, assim como da mistura demográfica e étnica que a política de Barack Obama encarnava. Um temor transformado em combustível político por Trump, com uma ideologia ultrapopulista. É, em suma, um nacional-populismo new wave, que retoma muitos dos ingredientes do fascismo clássico: a rejeição da mestiçagem (da qual subjaz, para muitos, a defesa da “raça branca”), a oposição entre quem está nas camadas inferiores e quem está nas superiores, a xenofobia, uma mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior, a política da força como método de “negociação”, a denúncia do outro e da diversidade, a hostilidade contra a igualdade de gênero, entre outros.
O modelo autoritário de novo se legitima apelando ao perigo de religiões e culturas diferentes

Outro grande país, o Brasil, também acaba de entrar neste caminho. Falamos aqui de um movimento evangélico que emergiu das entranhas das camadas médias empobrecidas e com medo, também, da liberalização dos costumes, do desaparecimento de valores morais em um país minado pelo cinismo e pela corrupção, por desigualdades crescentes, pelo fiasco da esquerda brasileira que não pôde promover uma sociedade que se voltasse ativamente para o progresso coletivo. Jair Bolsonaro não é um profeta, ele simplesmente soube inverter as promessas da teologia da libertação em teologia do ódio, com o apoio das elites militares e financeiras e dos grandes meios de comunicação. Lula e Dilma Rousseff perderam o apoio da classe média e depois foram crucificados, além disso com um golpe de Estado tramado por grupos financeiros, dirigentes políticos e alguns setores do Judiciário. A retórica evangélica arroga agora para si o papel de salvadora de um país à beira do abismo, fazendo da luta contra a corrupção seu cavalo de batalha e propondo o modelo de uma sociedade moralmente autoritária, um modelo indevidamente condenado ao fracasso, dada a excepcional diversidade e vitalidade da sociedade brasileira.

Tanto o Estados Unidos de Trump como o Brasil de Bolsonaro são testemunhas diretas e encorajam os movimentos reacionários dessas camadas sociais ameaçadas pelo rumo da globalização neoliberal. O repertório de mobilização se baseia no ideário das reivindicações nacionalistas e sua metodologia rompe com a representação política clássica: as manifestações em massa envolvem rituais extáticos de fusão com o líder, que denuncia, como uma ladainha de golpes de efeito, a decadência moral dos partidos, conclamando à recuperação urgente da grandeza perdida do país.

Na Europa, o processo de estancamento da economia há quase duas décadas (ausência de crescimento gerador de empregos) também produziu um enorme retrocesso de direitos sociais e liberdades, uma regressão de identidade que explica o surgimento dos movimentos neofascistas. Embora tenham elementos específicos, todos compartilham a mesma metodologia política em sua conquista do poder: criticam duramente a representação política, instrumentalizando a democracia que a sustenta para conseguir a vitória; reivindicam a liberdade de expressão para expandir suas exigências, mas censuram seus adversários; dirigem a energia política das massas contra um objetivo previamente construído como bode expiatório (os imigrantes, a liberdade de imprensa que põe em xeque seus discursos, etc.). Servem-se desse arsenal demagógico para evitar falar de seu programa econômico concreto. Vale tudo na batalha que travam veementemente contra a civilização (sempre “decadente”, segundo eles) e a igualdade, pois o princípio fundamental da retórica neofascista, exposto (aí sim) em todos os seus programas, é a rejeição da igualdade e da diversidade dos cidadãos.

O neofascismo europeu que surge atualmente é, por antonomásia, supremacista, individual e coletivamente. É o projeto de uma sociedade hierárquica de senhores e servos, uma visão de mundo que aceita a necessidade imperiosa de submissão a um líder, sua “servidão voluntária”. Essa submissão fica escondida atrás do sentimento de força e de vingança em relação às “elites”, que a mobilização coletiva confere ao neofascismo militante. E isso funciona porque essa ideologia, sem prejuízo de suas particularidades em cada país, gera, na identidade de seus seguidores, uma poderosa liberação de instintos agressivos e explode os tabus que limitam as expressões primitivas, violentas, nas relações sociais. O grande analista do fascismo George L. Mosse se refere a essa característica como uma liberação da brutalidade em um contexto minado pelo “abrandamento” característico da sociedade democrática.
É uma luta diária a que deve emergir, pois permanente deve ser a defesa dos direitos e liberdades

O discurso da extrema direita propõe, certamente, uma sociedade estritamente homogênea, em pé de guerra contra tudo que possa introduzir diferenças e singularidades dentro do conjunto. A rejeição do pluralismo político – rejeição que ela promove como um projeto de gestão do poder − se baseia também na oposição frontal ao multiculturalismo, e, consequentemente, na rejeição da multietnicidade da sociedade. O modelo é o de um povo em sua essência, um povo etnicamente puro. A cultura obsessiva da pureza está intrinsecamente ligada à desconfiança em relação ao estrangeiro, à atividade crítica do intelectual − e inclusive à arte que não comungue com a estrita linha da moral autoritária vigente −, à liberdade de orientações sexuais e de identidade de gênero, à pluralidade de confissões religiosas. Não é apenas uma coincidência que o islã esteja hoje no olho do furacão neofascista na Europa: a presença de uma população de origem estrangeira que professa a religião muçulmana coloca em questão o conceito essencialista de povo homogêneo tanto no aspecto cultural como no religioso (embora o velho fascismo dos anos trinta não tivesse um apetite particular pela religião).

Uma sociedade democrática pode administrar populações misturadas e destinadas a conviver com suas contribuições mútuas à civilização humana, desde que sejam estabelecidas diretrizes seculares claras para todos. Por outro lado, uma sociedade baseada no conceito substancial de povo, no sentido que o neofascismo lhe dá, tende inevitavelmente à exclusão efetiva da diversidade. Daí que o modelo autoritário procure novamente se legitimar apelando para o perigo de religiões e culturas diferentes, que devem ser vigiadas e perseguidas para que não “contaminem” a identidade do povo.

A Frente Nacional francesa, no início de sua caminhada nos anos oitenta, fez da rejeição ao islã um eixo central de seu programa, escondendo seu tradicional antissemitismo. O partido Alternativa para a Alemanha colocou a islamofobia no centro de sua estratégia de mobilização em 2015, após a crise da chegada em massa de refugiados. Na Áustria, Itália, Bélgica, Holanda e em todos os países do norte da Europa, os refugiados também se transformaram no prato principal das campanhas eleitorais. São, igualmente, alvo da retórica ultracatólica de Viktor Orbán na Hungria e dos programas dos partidos neofascistas do Leste Europeu.
O discurso da extrema direita faz estourar os tabus que limitam as expressões primitivas e violentas

Esses movimentos, que avançam da Espanha até a Suécia, passando pelos países europeus ocidentais e orientais, compartilham, além disso, uma característica de natureza histórica: apelam para o nacional-populismo como uma reação à era da governança supranacional, resultante da ampliação do mercado europeu, dos efeitos da globalização neoliberal e das tentativas de construir instituições representativas europeias pós-nacionais. Daí o consenso em torno do objetivo de pôr em xeque a atual construção europeia, em nomeie da soberania nacional.

O que fazer diante desse desafio? Hoje, os partidos nacional-populistas neofascistas não representam mais do que entre 10% e 20% do eleitorado europeu, mas sua influência ideológica real é mais ampla. Naturalmente, é preciso diferenciar o corpo doutrinário desses partidos das representações mentais, muito menos elaboradas, dos cidadãos que os apoiam. Embora seja verdade que as causas do avanço gradual das correntes ultradireitistas são conhecidas, não existe uma posição comum das forças democráticas na hora de contê-lo.

Há, basicamente, três campos-chave de ação, e o primeiro deles é econômico. Se a democracia não caminhar em prol do progresso social, as vítimas, que são muitas, tenderão sempre a culpá-la por não haver progresso. Portanto, é necessário relançar a máquina econômica de integração profissional, que hoje depende, essencialmente, das capacidades não do mercado, como acredita a Comissão Europeia, mas sim dos Estados para incentivar o emprego. Para isso, eles precisam de uma política orçamentária mais flexível, que gere equilíbrio social. Infelizmente, essa é uma reivindicação que ainda não é levada em conta em Bruxelas.

Em segundo lugar, em face do nacionalismo reacionário e excludente, é preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos nacionalistas xenófobos. É crucial interpretar bem a reivindicação de segurança de identidade das camadas sociais mais vulneráveis e desestabilizadas pela exclusão do emprego ou pela incapacidade de se adaptar às mudanças da sociedade moderna, que acontecem numa velocidade extraordinária. É necessário fortalecer a coesão coletiva, ou seja, a adesão ao bem comum, sem prejuízo do respeito à diversidade, sob diretrizes comuns e com valores essenciais de referência. É preciso administrar racionalmente os fluxos migratórios, não só para evitar as mentiras e a demagogia desconstrutiva sobre a imigração, como também porque a vida cotidiana se tornou muito mais competitiva e as percepções espontâneas favorecem um imaginário ilimitado de fantasias em um contexto de insegurança profissional. A economia, em todos os países desenvolvidos, precisa da imigração, e isso deve ser regulado com base no respeito pelos direitos humanos. Na Europa, um grande acordo político é imprescindível para desativar o papel que a imigração assumiu como bode expiatório.

Finalmente, deve-se assumir com firmeza a luta contra o neofascismo, explicar claramente à população o perigo que ele representa e propor pactos democráticos antifascistas àqueles que defendem a democracia e o respeito à igualdade e dignidade humana, denunciando, do mesmo modo, os que pisoteiam esses valores por razões eleitorais. Deve ser travada uma luta diária contra o nacional-populismo neofascista, pois a defesa da democracia, do bem-estar social, dos direitos e liberdades tem de ser permanente. Tomara que todos entendam isso, pois se trata do futuro da paz social!

Sami Naïr é catedrático de Ciências Políticas na Universidade de Paris e diretor do Instituto de Cooperação Mediterrâneo-América Latina da Universidade Pablo de Olavide de Sevilha. É autor, entre outros livros, de ‘La Europa Mestiza’.

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