O SARS-CoV-2 é coberto com espinhos que servem para aderir ao corpo humano. Esses picos são protegidos por açúcares conhecidos como glicanos, e sua função é mascarar as proteínas do vírus para ajudar o vírus a escapar do sistema imunológico do corpo em que foi introduzido.
Vírus mortais costumam estar bem preparados para lidar com o sistema imunológico humano. Por exemplo, o HIV "precisa fugir constantemente do sistema imunológico e possui um capsídeo muito espesso formado por glicanos como um escudo para o sistema imunológico", explica o professor Max Crispin, diretor de pesquisa da universidade britânica.
A boa notícia é que esse não é o caso do coronavírus. O SARS-CoV-2 está de acordo com o formato "bater e correr", segundo os pesquisadores, pois tende a passar de uma pessoa para outra.
"Quando cobertos de açúcar, os vírus são como lobos que se parecem com ovelhas. Mas uma das principais conclusões de nosso estudo é que, independentemente de quantos açúcares você tenha, esse coronavírus não é tão protegido quanto alguns outros vírus ", diz Crispin.
Como o estudo explica, uma densidade mais baixa de glicanos no vírus facilita o nosso corpo para neutralizá-lo com a ajuda de anticorpos. "Esta é uma mensagem muito encorajadora para o desenvolvimento da vacina", conclui o especialista.
A pandemia do COVID-19 tornou a natureza racista dos EUA capitalismo descaradamente óbvio. Os negros estão morrendo a taxas incríveis. Em St. Louis, toda morte pelo COVID-19 foi de uma pessoa negra. Em Chicago, os negros representam 70% do número de mortos. Em várias cidades do país, os negros estão altamente representados no número de mortes relacionadas ao vírus.
Os negros têm taxas de infecção pelo COVID-19 desproporcionalmente altas, e isso não ocorre porque, como o cirurgião-geral dos EUA nomeado por Trump, Jerome Adams, sugere, que os negros americanos devem "evitar álcool, tabaco e drogas". A razão é que os negros foram privados de assistência médica adequada e acesso a alimentos saudáveis e água limpa. (Flint ainda não tem água limpa!)
Drogas e álcool foram trazidos para a comunidade negra para desestabilizar comunidades que estavam se radicalizando na década de 1970 - especialmente o crack. As administrações republicana e democrata atacaram conscientemente os serviços sociais, fecharam hospitais e reduziram os orçamentos nos bairros negros. Além disso, os negros são culpados pelo que lhes foi feito pelo capitalismo e pelo imperialismo.
Ainda assim, os negros precisam sobreviver e muitos ainda estão trabalhando em empregos como fast food, mercearias e na saúde. Mas quando deixamos nossas casas, existe o medo perpétuo - e agora a pergunta: mascarar ou mascarar?
Com máscara:
Muitas cidades, como Los Angeles, estão ordenando que as pessoas usem máscaras quando saem de casa para diminuir a propagação do vírus. Claramente, isso inclui pessoas negras. No entanto, quando os negros usam máscaras, o risco de ataques aumenta. As redes sociais estão cheias de histórias de negros sendo seguidos nas lojas e incomodados por usar uma máscara. Já existe um histórico de negros sendo perseguidos nas lojas por suspeitas infundadas de roubo. Além do mais, ser negro e usar uma máscara na rua pode ser extremamente perigoso por causa dos comichões nos dedos dos policiais racistas.
Sem máscara:
Ao mesmo tempo, os negros tem sido atacados por não usar máscara. A consequência geralmente não é apenas uma simples multa ou um aviso da polícia, mas uma repressão brutal. Na Filadélfia, um negro foi arrastado à força do ônibus por não usar máscara. Existem inúmeras outras histórias de pessoas negras sendo atacadas pela polícia por não usarem máscara.
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Em outras palavras, você se dá mal se fizer e se dá mal se não fizer - nada de novo para os negros que vivem em uma sociedade racista. Então, o que devemos fazer? Usar máscaras e nos organizar! Esse vírus é mortal e não há proteção pelos chefes, capitalistas ou governo. Devemos nos organizar em nossos sindicatos, locais de trabalho e comunidades.
Precisamos continuar a construir uma luta da classe trabalhadora contra o racismo. Não somos as únicas vítimas - também há um aumento de ataques a asiáticos, nativos e latinos apenas por existir nos EUA, um país fundado e alimentado pela violência racista. Todas as pessoas oprimidas fariam bem em vincular nossas lutas para construir uma luta anticapitalista comum, com base nos trabalhadores. Precisamos de trabalhadores de todas as raças e etnias defendermos uns aos outros. Precisamos proteger uns aos outros dos ataques racistas e do COVID-19.
Especialistas chineses do Hospital Leishenshan, construído em menos de duas semanas para combater o coronavírus em Wuhan, alertaram que o uso obrigatório de máscaras faciais é essencial para conter o surto de COVID-19.
"Não usá-los é estúpido", disse Wang Xinghuan, diretor do hospital Zhongnan e chefe do hospital Leishenshan durante uma visita guiada à mídia.
Segundo Wang, o uso de máscaras faciais entre a população é "uma medida científica de proteção" e também serve para impedir que trabalhadores médicos sejam infectados. "Se não forem usados, a epidemia não pode ser controlada", afirmou.
Wang explicou que as quarentenas impostas para impedir a expansão do surto devem ser rigorosas, como a que foi realizada em Wuhan por semanas e garantiu que "os voluntários em casas particulares não trabalham".
O especialista acrescentou que "são necessários muitos testes para detectar os doentes e os assintomáticos, ou aqueles que precisam ser isolados fora da casa particular para que não infectem outros".
Também recomendou que os pacientes recuperados do COVID-19 fossem colocados em quarentena por duas semanas após a alta por precaução.
Enquanto isso, o vice-diretor do hospital de Zhongnan e o especialista em emergências Zhao Yan disse que o vírus e seus sintomas podem se manifestar "de maneira diferente no Ocidente em comparação à China".
"A perda de paladar e olfato, por exemplo, variou na Europa e nos Estados Unidos. Isso nos faz pensar que o vírus está mudando. Precisamos de cooperação ", disse ele, acrescentando que a coisa mais importante agora é" prevenir surtos ".
"A vigilância ainda é essencial em Wuhan", disse Wang.
Na cidade, local de nascimento da pandemia, existem agora 44 casos suspeitos de infecção pelo vírus, de acordo com os dados mais recentes oferecidos neste sábado pela Comissão Nacional de Saúde da China.
Além disso, duas pessoas morreram em Wuhan nas últimas 24 horas, elevando o número total de mortes nesta cidade até agora para 2.577, segundo a agência.
A ausência prática de novos casos confirmados (Wuhan acrescenta 50.008 contágios dos 67.803 detectados na China) levou as autoridades a suspender as restrições impostas a seus habitantes em 8 de abril, após 11 semanas de quarentena rigorosa.
Wuhan conseguiu reverter a situação, entre outros fatores, graças à rápida construção de hospitais como o de Leishenshan, que começou a admitir pacientes em 8 de fevereiro.
O centro tem capacidade para cerca de 1.500 leitos, e atualmente apenas 14 pacientes permanecem lá.
Nas paredes estão as assinaturas, agradecimentos e mensagens escritas de encorajamento para os médicos durante os piores episódios do surto.
Foi o segundo dos hospitais construídos poucos dias depois de Huoshenshan, cujo trabalho começou em 23 de janeiro.
Venezuela foi o primeiro país da América a adotar medidas extremas e efetivas de contenção do Covid-19.
POR SUL 21
Anisio Pires (*)
Quem ouviu falar da Venezuela nos últimos tempos? Todos. A maioria através da mídia tradicional que repete de mil maneiras sobre sua horrível “ditadura”. No entanto, há quem busque a verdade, a informação que interessa à maioria dos povos, digna e verdadeira. Essa, conta heróicas lições de vida de um povo que resiste, porque atacado, mesmo no meio desta pandemia mundial.
Durante essa tragédia gerada pelo Covid-19, o governo dos EUA tem agido de forma criminosa, impedindo que empresas farmacêuticas e laboratórios vendam à Venezuela os insumos necessários para poder atender seu povo. Nunca foi tão descarada a realpolitik do horror. Apesar do alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que os EUA se tornaria o epicentro da pandemia, a cúpula criminosa e fanática que dirige esse país só enxerga uma nova oportunidade para tentar derrubar o governo revolucionário do nosso país e se apoderar de nosso petróleo e de outras riquezas. Até o presente momento, o governo Donald Trump tem negado a autorização de vôos humanitários que visam trazer de volta mais de 800 venezuelanos que estão naquele país, isolados e ameaçados pela pandemia, e que pediram à chancelaria venezuelana seu resgate.
Sendo “suspeita” essa versão venezuelana, olhem a tragédia que vive a Itália, um país da OTAN. Seu governo, ideologicamente próximo de Trump, foi completamente abandonado. A grande potência defensora das liberdades e dos direitos humanos lavou suas mãos, enquanto equipes da Venezuela, Cuba, China e Rússia prestam sua solidariedade ao povo italiano. Além disso, aviões russos levando especialistas e medicinas para socorrer a Itália foram obrigados a fazer um percurso mais longo porque alguns países da “União” Europeia não permitiram sua passagem. Não existem fake news neste planeta que possam contra essa verdade.
As fakes destrutivas contra a Venezuela são alternadas com convenientes e escandalosos silêncios. Numa nota do dia 20 de março da BBC News, sobre o combate ao Coronavirus na América Latina, este meio que tem como marketing sua “isonomia e objetividade informativa”, apagou descaradamente a Venezuela do mapa. Fez isso apesar de ter sido, leia-se bem, o primeiro país da América em adotar medidas extremas e efetivas de contenção do Covid-19.
Seguindo as orientações da equipe de especialistas que assessoram o Presidente Nicolás Maduro e as recomendações da OMS, a Venezuela vem pondo em prática, desde o dia 15 de março, aquilo que foi muito bem resumido pelo ex Presidente Lula alguns dias depois (19/03/20): “Primeiro salvamos o povo, depois a economia”. Hoje já se fala do “método venezuelano de enfrentamento a uma pandemia”. Do que se trata?
Primeiramente, o que se espera de um povo consciente que aprendeu a resistir e avançar, após vários anos de agressões imperialistas, é ir além. De saída, o Presidente Maduro decretou quarentena em 7 estados do país e, antes de decretar a quarentena geral no dia seguinte, houve estados onde a população ficou em casa por conta própria. Quanta diferença de outros países onde existem verdadeiros suicidas saindo às ruas, debochando da situação, ou pessoas inconscientes que precisam ser coagidas a ficarem nas suas casas. Enquanto nas “democracias” se age assim, na nossa “ditadura”, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) tem coisas mais importantes a fazer, apoiando toda a logística de preparação de hospitais e ambulatórios para atender a população. Nossos pedágios e blitz apenas chamam a atenção daquela ínfima minoria inconsciente que sempre aparece. Por isso, em homenagem a esse comportamento exemplar do povo venezuelano, a Aviação Militar Bolivariana (AMV) pediu ao Presidente que lhe fosse permitido sobrevoar o céu de Caracas para desenhar o tricolor da Bandeira Nacional. No dia 21 de março, na chamada “Operação Alegria”, seis aviões Sukhoi, de fabricação russa, deram esse emocionante e orgulhoso presente para todo o país.
No dia 21 de março, na chamada “Operação Alegria”, seis aviões Sukhoi, de fabricação russa, sobrevoaram Caracas homenageando o povo da Venezuela.
O método venezuelano de enfrentamento a pandemia tem 4 eixos básicos: 1) Quarentena Social em todo o território; 2) Despistagem ampliada e personalizada com base na pesquisa nacional do Sistema Pátria (testes para conferir se a pessoa possui ou não o vírus 3) Garantia do tratamento e remédios para os contagiados e; 4) Garantia de camas e do atendimento especializado nos casos que sejam necessários.
Esses eixos foram ordenados diretamente pelo Presidente da República e Comandante em Chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), Nicolás Maduro, quem Preside e Comanda a grande equipe nacional e internacional que está lidando com esta emergência humanitária 24 horas por dia.
Foram dispostos de imediato, junto com a Quarentena Social Nacional, 46 hospitais sentinelas (públicos e privados) plenamente operativos e disponíveis para atender gratuitamente (também nos privados) os casos diagnosticados com o Covid-19. Possuímos 1.213 leitos em Unidades de Cuidado Intensivo (UCI) devidamente equipadas. Foram preparados 4.800 leitos, distribuídos nos 572 Centros Diagnóstico Integral (CDI) do país, uma espécie de SUS venezuelano, construídos a partir do Convênio Integral de Cooperação Cuba-Venezuela, assinado entre os Comandantes Fidel Castro e Hugo Chávez no ano 2000. Adicionalmente, já estão dispostos 4.000 leitos em hotéis privados para pessoas que apresentem sintomas da doença.
Mas a chave de tudo, como dizem os especialistas, está na efetividade do distanciamento social e na capacidade de detectar rapidamente os casos suspeitos para isolá-los de imediato, caso sejam confirmados. Na Venezuela isso foi possível pelo Sistema Pátria, um instrumento único de informação criado pelo governo bolivariano que inclui hoje quase 20 milhões de venezuelanos.
Representado singelamente por um carnê ou carteirinha, pessoal e intransferível, é uma plataforma digital de atendimento social multifacetário baseado na tecnologia de vanguarda do código QR que já vinha sendo usado pelo governo para pagamentos e bônus especiais entregues ao povo no enfrentamento à guerra econômica. Aposentados, mães gestantes e população em geral já receberam em alguma ocasião dinheiro por essa via. O sistema vem sendo usado também para que as pessoas, sem intermediação dos bancos, lidem com seus recursos, incluindo o Petro, a Criptomoeda venezuelana, a primeira a ser criada por um Estado e sustentada nas riquezas do país.
Por meio dessa ferramenta, sob orientação da OMS, foi realizada uma consulta rápida à população perguntando, num breve questionário, suas condições de saúde e possíveis sintomas da doença. Em menos de uma semana se obtiveram quase 15 milhões de respostas e, com base nelas, de maneira eficiente e efetiva, foram visitadas diretamente em suas casas àquelas pessoas que apontaram sintomas. Imediatamente, foi possível isolar os casos positivos, impedindo novos contágios. Num pais de 30 milhões de habitantes, com enormes fronteiras (Caribe, Brasil, Colômbia e Guiana), contabilizamos pouco mais de uma centena de casos e um óbito.
Essa virtuosidade do modelo venezuelano é um plus muito importante que veio fortalecer uma equipe muito decidida e comprometida, mas acima de tudo, humildemente sábia, pois vem tomando decisões junto ao Presidente a partir de analises e debates permanentes com pesquisadores e especialistas do mundo, levando em conta os erros e acertos dos outros países.
Tomando as palavras do ex-Presidente Lula, o mundo está dividido neste drama mundial entre os que pouco ou nada fazem, preocupados somente com a economia, e os que decidiram atender em primeiro lugar às pessoas. Por isso o Presidente Maduro adotou uma série de medidas concretas para viabilizar, de fato, a quarentena social.
Demonstrando que com vontade política revolucionária se protege a saúde do povo, dando ao mesmo tempo respostas socioeconômicas, o Estado adotou até agora as seguintes medidas:
-Assumir os salários de todos os trabalhadores públicos e privados nos próximos 6 meses.
-Proibição de demitir trabalhadores até o dia 31 de dezembro.
-Proibição de cobrar aluguel, prestações e juros de qualquer tipo pelos próximos 6 meses.
-Suspensão das taxas de luz, água e gás por tempo indeterminado.
-Proibição de cortar os serviços de telecomunicação no marco familiar nos próximos 6 meses, estabelecendo uma coordenação com todas as empresas de telecomunicação para melhorar e ampliar os serviços.
-Plano de Quitação da Folha de Pagamento para as pequenas e médias empresas através do Sistema Pátria.
-Manutenção do sistema de bônus para mais de 9 milhões de pessoas mediante o Sistema Pátria. O bônus “Março de Lealdade” já está sendo entregue e, na sequência, virá o bônus “Disciplina e Solidariedade”.
-Emissão do bônus “Fica em casa” para mais de 6 milhões de trabalhadores informais e da iniciativa privada.
-Suspensão por 6 meses dos alugueis de imóveis de uso comercial e os que são utilizados como moradia principal: “Ficam terminantemente proibidos os despejos forçados. Tanto de moradias principais como de comércios alugados”.
-Garantir, até o fim do ano, os recursos necessários para a distribuição de sete milhões de cestas básicas a 7 milhões de famílias (a cada 15 dias). Faz 4 anos que isto vem sendo feito pelos Conselhos Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).
-Suspensão por até 6 meses dos pagamentos de capital e interesses de crédito, permitindo a comércios e industrias, que suspenderam suas atividades, terem um período para o pagamento de quotas e interesses.
-Suspensão dos interesses de mora e multa, bem como a reclassificação do risco de crédito.
-Reorientação da Pasta Única Produtiva, criada recentemente pelo Presidente Maduro, dirigindo todo o investimento financeiro para setores estratégicos (alimentação, agroindústria e suas cadeias, drogarias e farmácias, entre outros). Inclui um plano de emergência para facilitar esses créditos, sobretudo para os pequenos e médios produtores e para os produtores comunitários.
-Bancos serão obrigados a cumprir com o financiamento a todos os setores produtivos, sobretudo os setores populares que impactam diretamente no território, no espaço local. O Governo assumirá o regime de garantias de modo que esses créditos não sejam afetados pelos bancos.
-Exoneração de imposto e taxas à importação de matéria prima, bens de capital e insumos.
-Mobilização de 20 mil médicos, entre cubanos e venezuelanos, para visitar todas as casas, num grande mutirão para realizar exames prévios na população. A iniciativa conta com a ajuda da China que enviou 2 milhões de kits capazes de fornecer o resultado em apenas uma hora e da Rússia, que enviou mais 10 mil kits.
-Reforço social adicional chamando para trabalharem, com pagamento especial, todos os profissionais da saúde aposentados, assim como a convocação dos estudantes de enfermagem e medicina dos últimos anos.
É preciso mencionar fatos recentes que dizem respeito à luta geopolítica pela dignidade humana. A Venezuela vem denunciando o bloqueio criminoso dos EUA à sua economia, que é acompanhado de verdadeiros atos de pirataria imperialista. Aplicando medidas unilaterais e extraterritoriais, tem roubado do país empresas, ouro e capitais que superam os 30 bilhões de dólares. Por isso, apresentamos no dia 7 de março, perante a Corte Penal Internacional (CPI), uma denúncia formal e documentada de “crimes contra a humanidade” realizados pelos EUA contra o nosso país.
Dias depois, em 17 de março, numa ofensiva ético-política contra o bloqueio, a Venezuela solicitou ao FMI um empréstimo de emergência de 5 bilhões de dólares para combater a pandemia do Covid-19, os quais viriam de um programa de financiamento chamado Instrumento de Financiamento Rápido (IFR). Esses recursos não estão atrelados aos condicionamentos conhecidos do FMI, fato que uma pequena parte da esquerda não compreendeu. Na prática funcionou como uma “reivindicação de transição” para desmascarar a imoralidade desse organismo financeiro. Como era de se esperar, o FMI negou o pedido, utilizando uma insólita justificativa: “Lamentavelmente, o Fundo não está em condições de considerar essa solicitação (…) O compromisso do FMI com os países membros é baseado no reconhecimento oficial do governo por parte da comunidade internacional, como se reflete na filiação do FMI. Não há clareza sobre o reconhecimento neste momento”.
Ninguém se surpreendeu que no dia seguinte a Chancelaria russa acusasse de “hipócrita” essa resposta. O que surpreendeu, embora silenciado pela mídia, foram as declarações dadas no dia 23 de março pela União Europeia (EU), através do seu Chefe Diplomático Josep Borrel: “Temos acordado apoiar a solicitação do Irã e também da Venezuela ao FMI para ter apoio financeiro”. Pelo visto os europeus decidiram responder ao silêncio apunhalante e à omissão que receberam da parte de seu grande aliado, os EUA.
No dia 26 de março, durante a cúpula virtual do G20, o Presidente Vladimir Putin foi além. Discordando frontalmente da resposta do FMI à Venezuela, propôs “Um plano comum de ação”, incluindo um fundo especial promovido pelo FMI de financiamento aos países mais afetados pelo Covid-19. Também falou, entre outras coisas, da criação de “corredores verdes, livres de guerras comerciais e sanções” que garantam o fornecimento dos alimentos, medicamentos, equipamentos e tecnologias que respondam a essa crise.
No mesmo dia, os EUA também tomou suas “iniciativas”. Na contramão da tão propalada “ajuda humanitária”, decidiu ampliar sua lista de sanções ao Irã. Contra a Venezuela foi mais longe: apresentou, através de seu Procurador Geral William Barr, denúncia formal de narcoterrorismo, tráfico de armas e corrupção contra o Presidente Maduro e outros dirigentes do país. Toda essa fúria miserável e extremista contra países que não se submetem às suas ordens, ocorre simultaneamente ao fato dos EUA atingir, de forma alarmante, a primeira posição entre os países infectados pela pandemia.
Essas reações desesperadas permitem antever que a primeira potência, em decadência, sairá dessa crise mais enfraquecida do que nunca. A pandemia mundial do Covid-19 está produzindo um rearranjo das forças internacionais que mudará completamente o panorama do mundo.
Que lições os povos da América Latina e do mundo podem tirar do que está acontecendo? Que resistindo, pacientemente e com dignidade, poderemos ficar mais fortes e avançar na contraofensiva para vencer o Coronavirus e o imperialismo estadunidense que oferece a vida humana em sacrifício ao deus mercado. A razão, a verdade e a vida estão mais do que nunca do nosso lado. Coloquem o povo em primeiro lugar e digam, assim como nós na Venezuela…
Leais sempre, traidores nunca!
(*)Anisio Pires é venezuelano, Sociólogo (UFRGS/Brasil), professor da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV)
Vídeo publicado no YouTube com depoimento do médico e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Marcelo Eduardo Bigal, revela a política criminosa dos governos, de Bolsonaro e Mandetta para a pandemia.
O médico denuncia que a quase inexistência de testes para o coronavírus está sendo usado para ocultar a gravidade do problema. Mais ainda, denuncia a que houve um aumento gigantesco das internações por problemas respiratórios no País em comparação ao ano passado. Ou seja, a epidemia do coronavírus no Brasil é muito maior do que apresentam os governos.
O médico conclui o vídeo dizendo que o governo não fará nada pela população e afirma “não acredite na versão oficial, porque é uma versão mentirosa”.
O Brasil, que ocupa a 14ª colocação dentres os 15 países com mais casos de coronavírus no planeta, é o que menos testa sua população. A diferença é brutal. Enquanto o Brasil faz 296 testes por milhão de habitantes, os EUA fazem mais de 7 mil; a Alemanha faz mais de 15 mil por milhão. A diferença do Brasil é enorme até em relação ao Irã, que testa 10 vezes mais: 2.755 testes por milhão.
Há uma disputa global pelos kits de testes que são produzidos na China, Índia, EUA e países europeus - o Brasil não os fabrica.
O professor de virologia da UFRJ Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da universidade, disse a O Globo que o Brasil está “sob a tempestade perfeita”: sofre com falta de infraestrutura para produzir testes, é refém da importação em um mercado sob demanda extrema e pena com a falta de ação do governo federal para resolver o problema: “O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez tudo o que podia. Mas falta apoio e uma ação mais incisiva do governo”.
Roger Chammas, da Rede USP para Diagnóstico da Covid-19 (Rudic) afirmou que o Brasil sofre com a falta de investimento em pesquisa: “Esse é o preço que pagamos por jamais termos investido em pesquisa e na indústria de biotecnologia. Agora, temos uma extrema dependência do exterior, uma ameaça gravíssima à nossa soberania”.
Programa de distribuição de alimentos em Kerala, destinado às famílias mais pobres, foi estendido a todos os cidadãos do estado por três meses por conta da pandemia - CPI-M/Divulgação
POR
Praveen S.
Brasil de Fato | Nova Delhi (Índia) |
Aglomerações, fome, falta de água para lavar as mãos. As notícias sobre a Índia que mais repercutem no exterior durante a pandemia retratam uma nação em plena crise humanitária. Embora sejam verdadeiras, elas não refletem a realidade de todos os 29 estados do país.
O cenário mais grave se encontra na região nordeste da Índia, em vilarejos isolados e nas favelas das grandes metrópoles. Por outro lado, há territórios em que o acesso à saúde pública e a bens de consumo é comparável a países desenvolvidos – e não se trata apenas dos bairros ricos da capital Nova Delhi.
O estado de Kerala, no extremo sul, por exemplo, tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país: 0,790, considerado elevado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A média indiana é 0,467 e a brasileira, 0,699. Quanto mais próximo de 1, melhores os índices de renda, educação e expectativa de vida.
Durante a pandemia, Kerala foi o primeiro estado a diagnosticar pacientes com coronavírus, e possui o melhor índice de recuperação de pacientes na Índia – 84%, considerando diagnósticos realizados entre 9 e 20 de março. O índice de recuperação em Delhi, por exemplo, é inferior a 5%.
Kerala fica a 2,6 mil km da capital e registrou três mortes em um total de 345 pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.
Para entender por que as condições de enfrentamento à pandemia no estado destoam de outras regiões da Índia, o Brasil de Fato ouviu membros do Conselho de Planejamento de Kerala. O órgão foi criado em 1967 e reúne pesquisadores e cientistas de diferentes áreas para auxiliar o governo local na tomada de decisões.
Os conselheiros explicam que o sucesso no combate à covid-19 é resultado de medidas emergenciais tomadas nas últimas semanas, mas também de políticas públicas adotadas ao longo de décadas.
Legado
Doutor em Economia, o professor R. Ramakumar conta que Kerala foi o berço de vários movimentos sociais reformistas que questionaram as superstições e a opressão de casta, classe e gênero que dominavam a política indiana no final do século 19.
“Entre 1930 e 1940, esse legado se converteu na formação de partidos comunistas, que logo se tornaram muito populares”, lembra o membro do conselho. “Eles institucionalizaram uma mudança de consciência que já havia ocorrido em muitas comunidades, de dentro para fora”.
Kerala foi o primeiro território a eleger um governo comunista em toda a história, em 1947. Segundo Ramakumar, a prioridade na época eram os investimentos em educação, saúde e segurança nutricional. Para isso, o governo avançou em processos de reforma agrária, criando um sistema público de compra e distribuição de alimentos.
“Essas mudanças foram tão profundas que, mesmo quando governos não comunistas assumiram o estado – nos anos 1980, por exemplo –, eles precisaram manter as políticas públicas de caráter progressista, porque essa demanda já estava enraizada na sociedade”, acrescenta o professor.
“É um governo de esquerda, muito responsivo às necessidades das pessoas, preocupado em proteger a economia e garantir a subsistência, especialmente, dos pequenos produtores”, orgulha-se Ramakumar. “E esse compromisso político foi rapidamente traduzido em respostas econômicas, logo nos primeiros dias [de pandemia]”.
Na fila para distribuição de comida, cidadãos esperam sentados a uma distância segura para evitar cansaço e aglomeração / Divulgação/CPI-M
Investimento público
Considerado um dos estados “mais globalizados” da Índia, Kerala tem 40 milhões de habitantes e quase meio milhão de trabalhadores fora do país. Para se ter uma ideia, o estado dispõe de quatro aeroportos internacionais, dois a mais que Delhi.
O fluxo intenso de passageiros ajuda a explicar por que os primeiros casos de coronavírus da Índia ocorreram em Kerala – vindos da China e da Itália. O estado foi pioneiro não só no diagnóstico, mas nas respostas econômicas à pandemia: um pacote de 20 bilhões de rúpias, o equivalente a R$ 1,3 bilhão.
Ramakumar diz que o governo local nunca subestimou a covid-19 porque tem experiência recente com epidemias. Em 2018, um surto do vírus Nipah matou 17 pessoas no estado, que foi obrigado a decretar quarentenas em alguns distritos.
“Kerala enfrentou o Nipah e também já viveu várias inundações ao longo da história. Por isso, as pessoas são disciplinadas e o governo sabe do impacto que esse tipo de calamidade causa à economia”, analisa.
A estratégia foi abrir os cofres e gastar o necessário, da maneira mais ágil possível, para impedir demissões, garantir a sobrevivência das empresas e renda mínima aos trabalhadores. Basicamente, o governo investirá nos próximos três meses o valor que estava previsto para o ano todo.
“Esse investimento substancial vai valer a pena para a economia continuar girando e não quebrar lá na frente. Quem já passou por esse tipo de situação sabe que é este o momento de colocar dinheiro na mão das pessoas”, completa Ramakumar. “Quanto antes isso acontece, mais rápido a economia se recupera”.
Professor do Instituto de Tecnologia de Delhi e também membro do conselho, Jayan Jose Thomas é especialista em temas relativos à indústria. Sobre as medidas emergenciais adotadas pelo governo de Kerala durante a pandemia, ele enaltece a decisão de distribuir uma quantidade mínima de alimentos para todos os cidadãos, não só os mais pobres, e o crédito liberado a pequenas empresas para evitar demissões.
Thomas diz que não se trata apenas de números, mas de uma abordagem humanizada que tem no bem-estar social um de seus pilares. Ele cita como exemplo as filas para distribuição de alimento durante a pandemia: em Kerala, as pessoas aguardam sentadas, e não em pé. Além disso, as cadeiras são dispostas a dois metros uma da outra, para evitar aglomeração e contágio.
Perspectivas
O pacote de mais de R$ 110 bilhões anunciado pelo governo central da Índia, na interpretação do professor Ramakumar, é insuficiente para suprir as necessidades dos estados. “De 5% a 6% naquele pacote são novos investimentos. O resto já estava previsto, em forma de crédito e auxílios, mas eles somaram para parecer maior do que é”, explica. “Por isso, os estados devem seguir o exemplo de Kerala e lançar seus próprios planos econômicos”.
Outro membro do conselho, especialista em políticas de descentralização, K. N. Harilal diz que mesmo os estados mais pobres não podem se negar a garantir a subsistência dos trabalhadores: “O que se deve fazer é fornecer subsídios e renda mínima. Isso muitos estados poderiam tentar adotar. Não é preciso liberar grandes montantes, mas ao menos garantir que todos tenham acesso aos serviços básicos e alimentação”, ressalta.
Embora o governo da Índia seja de extrema direita, as divergências com os ministros-chefes durante a pandemia não transparecem como no Brasil.
“Temos nossas discordâncias, mas, quando se trata de combater a covid-19, o governo central está assumindo uma posição diplomática e contribuindo para evitar conflitos”, enfatiza Harilal. “Os problemas que temos são de ordem financeira. Se fôssemos autorizados a emprestar um montante maior a juros baixos, seria muito melhor”.
A Índia investe apenas 1,28% do Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, e a gestão é de responsabilidade dos estados. No pacote liberado pelo governo central, os benefícios de alimentação se restringem aos portadores de cartões de racionamento, deixando quase 40 milhões de indianos pobres sem assistência.