PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA

PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA
CONHEÇA A HISTÓRIA E AS AÇÕES DO PONTO DE CULTURA EM FLORESTA/PE

CONHEÇA A TV RAÍZES DA CULTURA

CONHEÇA A TV RAÍZES DA CULTURA
ACOMPANHE NOSSO PROJETO DE COMUNICAÇÃO

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Estamos formando uma geração de egoístas, egocêntricos, alienados e inconsequentes!


Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.

Em Adamantina, recentemente uma garota, em sua primeira semana de aula na faculdade, teve suas pernas queimadas em um dia de acolhimento de calouros. Jovem, em seus 17 anos e feliz por realizar o sonho de ingressar em uma faculdade. Mas em um dia que deveria ser de festa foi interceptada por “colegas” veteranos. Foi pintada com tintas e esmalte até que sentiu que jogaram um líquido em suas pernas. Nada notou até que a água da chuva, por ironia, em lugar de lavar e limpá-la provocou uma reação química que resultou em queimaduras de terceiro grau em suas duas pernas. O mesmo aconteceu com uma colega de turma que teve as pernas queimadas e outro rapaz que correu o risco de perder a visão. O líquido? Uma provável mistura de creolina e ácido!

Casos amplamente noticiados pela imprensa local, regional e nacional. Mas relatos contam mais sobre este dia trágico, como inúmeros casos registrados de coma alcoólico, além de meninas que tiveram suas roubas rasgadas e sofreram toda uma série de constrangimentos.

Fatos como estes contribuem para nos trazer de volta à realidade e, guardadas as devidas proporções, ilustra que vivemos sim em um país onde a “barbárie” ganha força e impera em diversos núcleos de nossa sociedade e se alastra com uma rapidez de rastilho de pólvora. 

Casos se repetem em diversos estados e cidades, o caso dos calouros da FAI de Adamantina não é e nem será o último, quantas tristes histórias já foram relatadas, como a do o jovem morto atirado em uma piscina da USP, amanhã mais um homossexual ou um negro, ou mais uma mulher que não se “deu o valor” e andou por aí exibindo seu corpo.

Vivemos em uma sociedade de alienados, sujeitos que não conseguem sequer interpretar um texto, nossas crianças são “condicionados nas escolas” jamais educados. Infelizmente não há cultura neste país da desigualdade. Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.

O apresentador Chico Pinheiro do Bom dia Brasil, revoltado com os trotes violentos, afirmou que estes alunos deveriam voltar para o ensino fundamental. Discordo radicalmente dele, estes alunos deveriam voltar para o seio de suas famílias e lá, sim, receber educação básica, educação para a vida.

Os pais estão terceirizando a educação de seus filhos e, em um mundo sem tempo e repleto de culpa delegam a educação de seus filhos a professores que não podem ser responsabilizados e muito menos tem competência e formação para isso. Professores são facilitadores da inteligência coletiva, pais são os educadores na/da/para a vida!

Nos dias de hoje o tempo passa rápido demais. Muito rápido, tão rápido que nem dá tempo de tentar entender e processar o que foi vivido nas poucas horas atrás.

A molecada acorda cedo, vai pra escola. Chega em casa, almoça ao mesmo tempo que assiste TV, atualiza a conversa no WhatsApp, checa sua ‘TimeLine’ no Facebook, curte páginas dos amigos, coloca em dia as curtidas do Instagram e comenta de forma superficial – pois não compreende o contexto e complexidade – as reportagens da TV. Se perguntar quem dividiu a mesa com eles (os pais também estão brincando com o celular) é possível que nem tenham se dado conta, pois estão mais próximos dos amigos “virtuais” do que daqueles que compartilham o mesmo espaço, a mesma mesa e a mesma comida com eles. Mas o mais trágico nisso tudo é que os pais, também, estão sentados à mesa assistindo TV, atualizando a conversa no WhatsApp, checando sua ‘TimeLine’ no Facebook, colocando em dia as curtidas do Instagram e comentando de forma superficial as reportagens da TV.

Depois do almoço os pais irão para o trabalho e os filhos para a aula de computação, inglês, academia…

À noite ficarão no quarto em frente ao note, navegando por sites que jamais se lembrarão, conversando pelo skype, jogando online, até a hora de dormir.

No final de semana estes jovens dormirão a maior parte do tempo para se preparar para a noite, para a balada, onde pegarão todos e todas e beberão até cair.

Estes jovens entram muito cedo em sua vida pretensamente “adulta”. Já “brincam” de papai e mamãe antes mesmo de brincar de casinha. Estes jovens são lançados da infância, cada vez mais curta, direto para a vida “adulta”, passando sem piscar pela adolescência.

Qual estrutura e base estes jovens terão para superar conflitos pessoais? Comportam-se como adultos aos 13, 14, 15 anos e, em muitos casos são tratados como adultos, mão não são adultos, são crianças e adolescentes que não sabem absolutamente nada da vida, mas são cobrados como se soubessem de tudo e pior, acreditam que sabem sobre tudo. Eles querem ser aceitos, infelizmente querem ser aceitos em um mundo irreal de aparências!

Nesse “nosso” mundo do “parecer”, do “fake”, do consumo do corpo perfeito, da mentira perfeita, do dinheiro a qualquer custo, do consumir e exibir, da exposição sem limites, da falsa propaganda que vende vidas “perfeitas” somos “forçados” a fazer parte dessa sociedade de “mentirinha”.

Na sociedade do consumo do corpo perfeito, da vida perfeita, do ser perfeito, não existe espaço pra “ser humano”, não existe lugar “para sermos quem somos”, aqueles que exibem suas imperfeições, pois o imperfeito não cabe na aparência perfeita do mundo da mentira.

Todos nós queremos fazer parte de algo, ser parte de algo. Principalmente quando somos jovens. Nossa turma é nossa razão de ser e estar no mundo. Comportamo-nos como tribos, somos territorialistas e, fazer parte deste “algo” nos confere identidade. E aí para fazer parte desse mundo, o jovem segue a turma, mesmo em muitos casos, sem saber por que está fazendo isso, mesmo sabendo que muitas coisas que fazem são erradas, vale a pena correr o risco para “ser” parte da turma!

E neste mundo, empoeirado, intenta-se forçar o sujeito a aderir sem contestação ao padrão de ser e estar neste “mundo”, reduzindo sublimes e maravilhosas peculiaridades e particularidades, ou seja, nossas magníficas diferenças, em uma uniformidade que se encaixa na perfeita adequação a uma sociedade tamponada, uniforme, opaca, moralista, hipócrita. É a construção de um mundo baseado em mentiras e sem alicerce.

As inquietudes de nossa alma deveriam ser tratadas em nossas relações cotidianas, primeiro no seio carinhoso da família, depois nas escolas, nos relacionando com os professores e com os colegas de aula, com os amigos e também com os inimigos, com os namorados, patrões… Vivendo nossas experiências boas e más, aprendendo a entendê-las. 

Passamos por frustrações a aprendemos a superá-las. Este é o ciclo natural das coisas, é preciso viver para compreender a vida, viver todas as emoções, boas e más, sorrir, chorar, vencer, perder, amar, rejeitar, ser rejeitado, ter amigos, inimigos, construir alianças, quebrá-las… Cabe a família dar o suporte, fornecer o alicerce para que este ser, mesmo em épocas de tempestade, não desmorone. E na convivência cotidiana, construirá seu edifício interno, com janelas, portas, divisórias, que poderá balançar em muitos casos, mas jamais desabar se bem estruturado.

Mas como educar se os pais não têm “tempo” para ajudar estes jovens a construir sua estrutura?

Os filhos não têm “tempo” para escutar o que os pais têm pra dizer, talvez uma conferência familiar pelo Whats ou Skype, quem sabe…

Os amigos não têm todas as respostas. E talvez o mais triste para esta geração, o Google não tem todas as respostas.

Nossos jovens produzem eventos para postar, ser curtido e comentado. Situações são criadas para movimentar e dar liquidez ao “mercado” da popularidade, as “ações pessoais na bolsa virtual” crescem conforme o número de “posts, comments e likes”. Uma sociedade baseada no consumismo, que valora cada ser humano por seus bens de consumo e potencial de exibição do produto, passou a consumir avidamente “vidas”. Vidas são colocadas em exposição, para o deleite do consumidor e regozijo daquele que se expõe, pois quanto mais visto, mais é consumido, assim, ganha popularidade, consequentemente “poder”. Uma sociedade sem amor, sem paz e sem alma.

A alma não está sendo vendida para o diabo, mas sim, depositada em sites de relacionamento e eventos que precisam ser constantemente alimentados para nutrir o mercado. Se não existe um evento, tudo bem, faz-se imagem de si mesmo, pois a imagem é tudo neste mundo baseado no TER, SER não importa, o que vale é PARECER e, para parecer e aparecer é preciso exibir.

É imperativo que estes jovens compreendam que eles NÃO têm o valor do que é “consumido” ou do que consomem em imagens, exposição, “likes”, compartilhamentos e “comments”. O seu valor não é “subjetivo e líquido”, pois este “valor” está na forma como ele se constitui enquanto ser humano real. SER REAL não é nada fácil no mundo “líquido”, mas precisamos tentar, não apenas com os jovens, mas também em relação a nossas vidas, pois creio que se hoje estas moças e moços vivem dessa forma, não são nada diferente de quem os criou, pois nossa sociedade vive de ter e exibir, nossa juventude nada mais é do que reflexo de uma sociedade “adoentada”.

Pois nossas crianças já nascem sem tempo, extremamente competitivas, presas em escolas integrais que garantirão seu “futuro”. E dessa forma continuarão a lubrificar as engrenagens de nossa sociedade doente e “medicada” que confunde saúde com remédios, consumo com qualidade de vida, amor com bens de consumo. Estamos formando uma geração de egoístas, alienados e inconsequentes, que se preocupam mais com sua imagem do que em “ser” humano.

Quando somos jovens, acreditamos que sabemos tudo, que estamos prontos para a vida, mas viver nos ensina que a gente não sabe NADA sobre a vida.

Compreender e aceitar que não somos e nunca seremos perfeitos, que simplesmente não sabemos de quase nada e nem temos certeza de tudo, nos torna mais abertos, mais humanos, mais doces, mais amorosos e tolerantes, com nós mesmos e com os outros. Mas para que nossos jovens possam compreender tudo isso, precisamos cria-los para que sejam mais humanos, colaborativos, criativos, transgressores, mas para isso, precisarão ser ensinados que serão alguém, não pela quantidade de bens que possuírem e exibirem, mas sim, por “ser” humano, “ser” como verbo de ação!

Isabel Cristina Gonçalves é Adamantinense, Oceanógrafa, Mestre em Educação e Doutora em Educação Ambiental. Atualmente trabalha como pesquisadora, Pós-Doutoranda, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto: “Mudanças climáticas globais e impactos na zona costeira: modelos, indicadores, obras civis e fatores de mitigação/adaptação – REDELITORAL NORTE SP”

Religiões afro-brasileiras sofrem com a violência e intolerância

Festa para Iemanjá em Salvador, centro da cultura afro-brasileira
Discriminação e preconceito com candomblé e umbanda são históricos no Brasil, mas registros de ataques têm aumentado nos últimos anos. Avanço dos evangélicos neopentecostais preocupa adeptos.

Por DW

Na manhã de 2 de fevereiro, milhares de moradores e turistas vão dar as boas-vindas aos primeiros raios de sol nas praias do Rio Vermelho. A Festa da Rainha do Mar, celebração em homenagem à divindade do candomblé Iemanjá, é uma tradição de Salvador.

"É mais do que uma festa turística, é mais do que uma festa do folclore. E, para as pessoas que creem, é uma festa que tem importância religiosa, simbólica e de obrigação", diz Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha, diretor do Museu Afro-Brasil, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

"Não é raro nestas festas ter grupos neopentecostais pregando, demonizando esta festa, dizendo que é um lugar do pecado", frisa Cunha, acrescentando que esse tipo de distúrbio já é antigo. "É o de sempre. No século 19 já existiam esses ataques", lamenta.

Naquela época, o próprio Estado oprimia a cultura trazida pelos escravos vindos da África. "Eram política e cultura forjadas pelo Estado. Os terreiros eram controlados. Foi o Estado que tornou algo natural que esses lugares fossem atacados", afirma.

Fiéis lançam ao mar oferendas a Iemanjá no Rio de Janeiro
Cunha é responsável, no Museu Afro-Brasil, pela Coleção Estácio de Lima, que documenta testemunhos da repressão do Estado. Ela inclui artefatos que foram apreendidos violentamente pela polícia em locais de culto.

Ainda hoje, a violência e a intolerância estão presentes. Desde 2013, o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela registrou 16 ataques contra terreiros na Bahia. E de acordo com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), a intolerância religiosa entre 2017 e 2018 aumentou em 124%. 

"Essa é a grande contradição: a gente mora em Salvador, o lugar com o maior número de negros fora da África. Por outro lado, tem essa sociedade que foi construída toda na ideia da inferiorização do outro, e esse outro era o negro."

No Rio de Janeiro também existem celebrações à Iemanjá, mas elas acontecem no réveillon. Até pouco tempo atrás, a festa em Copacabana ocorria em clima de tolerância religiosa. Desde a chegada à prefeitura de Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, há dois anos, a cultura afro-brasileira vem sofrendo restrições, relata Fátima Damas, presidente da Congregação Espírita Umbandista do Brasil.

"Ele cortou não só a verba para as festas da umbanda e do candomblé, cortou também as verbas de vários eventos tradicionais no Rio de Janeiro, até do Carnaval", afirma. Agora, o Brasil tem em Bolsonaro um presidente que descreve a sociedade como judaico-cristã. "A gente sente amargura e angústia, nos sentimos discriminados."

Babalaô Ivanir dos Santos afirma que ataques são disseminados em todo o país
Damas teme a crescente influência dos evangélicos, que, como eleitores, ajudaram Bolsonaro a chegar ao poder. Ela fundou a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa depois que traficantes evangélicos expulsaram adeptos de umbanda e candomblé da Favela do Dendê.

"Esses problemas continuam disseminados em todo o país", afirma o babalaô Ivanir dos Santos, espécie de sacerdote do candomblé. Isso ocorre especialmente por causa do trabalho dos evangélicos nas penitenciárias. "Para mostrar bom comportamento, os presos se convertem. E quando saem e voltam para o tráfico de drogas, expulsam o candomblé e umbanda das comunidades. Não há nenhuma ação do Estado para coibir isso", diz.

Em 2011, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República registrou 15 casos de intolerância religiosa em todo o país. Em 2016, foram 759 casos. Cultos afro-brasileiros, como candomblé e umbanda, são os mais atingidos, mas também há vítimas entre evangélicos e praticantes da religião neopagã wicca, associada ao culto às bruxas. Santos está no momento atualizando as estatísticas. "Mas há problemas na coleta de dados, pois nem todos são registrados pelas autoridades."

A intolerância também é disseminada nas mídias sociais. "A intolerância virou um comportamento social espalhado pela internet, mas também no relacionamento com o vizinho e com a família", diz Santos. E muitas vezes essa intolerância parte das igrejas evangélicas.

                             

Damas teme a crescente influência dos evangélicos

"Essas igrejas estão nas áreas pobres, onde o Estado não está presente, onde essa população não tem seus direitos respeitados. Lá, essas igrejas são a única assistência. Aí você acaba manipulando a carência das pessoas, e eles acabam incorporando o discurso do pastor, que demoniza a própria cultura", completa.

Os jovens se orientam, além disso, cada vez mais por exemplos da mídia, segundo o músico Silvan Galvão, do Pará. "O convívio que eles têm é com o pai, o avô e o vizinho, que não prosperaram. Mas a turma toda que eles veem na televisão ou nas suas redes sociais está mostrando prosperidade", afirma. A promessa principal das igrejas pentecostais é ser abençoado por Deus com a prosperidade.

No final, os jovens acabam se afastando cada vez mais da própria cultura, segundo Galvão. Ele mesmo é descendente de africanos e indígenas. "Eles esquecem a própria cultura, herança e ancestralidade."

Isso também pode ser observado nos quilombos, localidades fundadas por escravos fugidos. As tradições africanas em grande parte se perderam, sendo cada vez mais substituídas pelas igrejas evangélicas. "E o mais irônico é que são pastores negros da comunidade que assumem o papel de dizer o que é de Deus e o que é do diabo."

Mas também há sinais de esperança. Um tribunal condenou a rede de televisão Record há alguns dias a veicular quatro programas sobre cultos afro-brasileiros. Em 2004, a emissora várias vezes emitiu conteúdo ofensivo contra essas religiões, segundo o tribunal. A Record pertence a Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e tio de Crivella.

Um pequeno passeio pelas tribos do berço da humanidade



África é o segundo continente do mundo por extensão territorial e dali originaram as espécies de hominídeos e antropóides que deram lugar aos seres humanos e que se espalharam pelo resto do mundo há cerca de 190.000 anos. O continente onde nasceu a atual humanidade contém uma apreciável riqueza cultural procedente de mais de 3.000 grupos étnicos diferentes e este post faz um pequeno percurso -acho que vão gostar muito- pelas tribos e povoados que mais impactaram o ótimo fotógrafo Eric Lafforgue.
A imaginação é muito poderosa na tribo Mursi.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Ao redor dos pescoços das mulheres casadas, da tribo Hamer, podem ser vistos estes colares de ferro forrados em couro, presentes de compromisso, que devem ser usados durante toda a vida e indicam a riqueza de seu marido. Este colar só pode ser usado pela primeira esposa e seu status é o maior entre as esposas Hamer. O restante das esposas vivem uma vida muito dura já que sobre elas recai quase toda a carga de trabalho.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Jovens Himba, Namibia.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Garota Surma com os lóbulos perfurados. As mulheres das tribos Surma perfuram os lóbulos de suas orelhas e que são alargados com todo o tipo de coisas que encontram. Quando já estão preparadas para o casamento fazem um buraco no lábio para começar também a alargá-lo.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Os dinka são uma tribo originária do Sudão do Sul que vivem desde o século X na orla do rio Nilo e estão divididos em 21 grupos, cada um com seu próprio líder. São polígamos, ainda que há muitos homens que só têm uma esposa. Tradicionalmente, os dinka usam pouca roupa, sendo normal que um homem adulto ande totalmente nu, salvo seus colares ao redor do pescoço. As mulheres usam só uma pele de cabra na cintura. Os homens que se dedicam ao pastoreio, se untam com cinza de esterco de vaca para afugentar os mosquitos. É fácil ver homens, especialmente entre os jovens, com o cabelo tingido de vermelho, para o qual utilizam urina de vaca, enquanto as mulheres se raspam a cabeça e as sobrancelhas, deixando apenas um tufo de cabelo no cocuruto.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Mulher Bana com sua cabaça na cabeça. Os Bana utilizam a cabaça para beber e é muito normal que a lavem com urina de vaca, motivo pelo qual o cheiro não costuma ser muito agradável. Costumam carregar a casaca de abóbora d'água na cabeça em suas deslocações.
Um pequeno passeio pela tribos da África

Mulher da tribo Turkana, Quênia. A tribo Turkana habita os territórios áridos do norte do Quênia, na fronteira com o Sudão. São pastores nômades adaptados a uma área quase totalmente desértica e estão divididos em 28 clãs associados a cada um deles. Os Turkana são polígamos, mas o alta dote do casamento (30 a 50 cabeças de gado, 30 a 50 camelos ou 100 a 200 bezerros) faz com que, com freqüência, um homem não possa fazê-lo até que não tenha herdado a criação de gado de seu pai ao morrer.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Mãe Himba enfeitando sua filha para o casamento.
Um pequeno passeio pela tribos da África
O laço eterno dos Dinka com a natureza.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Esta mulher da tribo Mwila em Hale mostra-se protetora com seu filho albino. As mulheres da tribo Mwila são famosas por seus penteados que são muito significativos em sua cultura. As mulheres têm o costume de untar o cabelo com uma massa de cor vermelha, chamada oncula, que é feita com uma mistura de um tipo de pedra vermelha triturada, óleo, casca de árvore triturada, esterco seco de vaca e ervas. Ademais enfeitam seu penteado com pérolas, conchas de cauri e até alimentos seca. As mulheres Mwila também são famosas por seus colares, e para cada período de sua vida lhe corresponde um tipo específico de colar. As meninas usam colares de cor vermelha fabricadas com grãos cobertos de uma mistura especial de terra. A partir da adolescência usam colares de cor amarela chamados Vikeka, e feitos com vime cobertos de terra que mantêm até seu casamento. Nunca tiram seus colares e dormem com eles.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Jovem Himba dançando, Angola. A tribo Himba vive na Namibia e no sul de Angola, e cruzam as fronteiras sem nenhum tipo de visto. Em Angola, a maioria deles vivem em zonas remotas, em pequenos povoados longe das cidades e sem contato com a civilização.
Um pequeno passeio pela tribos da África

Mulher Hamer chicoteada, Etiópia. Os Hamer são uma tribo dedicada principalmente ao pastoreio e a retirada de mel, que vive no lado oriental do vale do Omo no sul da Etiópia. Cada pessoa tem três nomes: o de um ser humano, uma cabra e um nome de vaca. Só para ter uma ideia da importância que tem o gado para eles, dizem que têm pelo menos 27 palavras para definir as sutis variações de cores e texturas de um animal. As garotas Hamer agem como homens para demonstrar que não temem nada. Durante uma de suas festas mais importantes, na cerimônia do salto do touro quando os jovens casadoiros escolhem suas parceiras, as garotas Hamer, para demonstrar que são fortes e devem ser escolhidas, se fazem açoitar e se açoitam elas mesmas nas costas até produzir grandes lacerações. Quanto mais cicatrizes têm nas costas, maior é seu status.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Cerimônia do salto do touro, tribo Hamer.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Menina da tribo Mundimba no interior de uma gigantesca cesta, Angola. Estas cestas gigantes são utilizadas para guardar os grãos da tribo Mundimba, no sul de Angola. A menina em seu interior está com uma cabra que saltou para dormir ali dentro.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Ana, uma jovem do povoado Hana. Ela se chama Ana, vive em Hana, um enclave Mursi no vale do Omo, na Etiópia. As escarificações foram feitas quando completou 14 anos e desde o ano passado converteu-se ao cristianismo, por isso carrega a cruz no pescoço. Seu povoado tem apenas 300 pessoas, e esta foto foi feita bem na entrada de sua casa.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Jovem da tribo Surma, Etiópia. Uma jovem da tribo Surma é considerada formosa se tiver um grande disco nos lábios e se seu corpo estiver coberto de escarificações que são feitas com espinhos de acácia e às vezes com lâminas de barbear. A deformação dos lábios são uma parte importante da cultura Surma. O tamanho dos discos nos lábios das mulheres determina a quantidade de gado que as jovens receberão como dote ao se casar. Às vezes o lábio rompe-se pela pressão e este é um grande problema para a jovem, porque os homens consideram-no muito feio, e ela que não conseguirá se casar com ninguém da tribo, a não ser com idosos ou com pessoas doentes.
Um pequeno passeio pela tribos da África
Guerreiro Surma com escarificações por todo o corpo, Etiópia. Os homens, assim como as mulheres, da tribo Surma também fazem escarificações por todo o corpo. Se é um sinal de beleza para as mulheres, para os homens é uma representação das lutas que realizou.
Um pequeno passeio pela tribos da África

Criminalização do racismo completa 31 anos


Há 31 anos, no dia 2 de fevereiro de 1988, o Plenário da Constituinte aprovou a emenda de autoria do deputado federal Carlos Alberto Caó Oliveira que definiu o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Desde então, o Brasil tem endurecido a ação contra crimes de racismo e injúria racial. A lei passou a valer a partir da promulgação da Constituição Federal, no dia 5 de outubro de 1988.

Apesar do rigor da legislação, casos de racismo, injúria racial, preconceito e intolerância religiosa ainda ocorrem com bastante frequência e exigem do poder público e da sociedade vigilância constante, para identificar e responsabilizar os culpados, que atacam, na maior parte das vezes, sem qualquer constrangimento, de celebridades a cidadãos comuns, nas redes sociais ou em público; com agressões verbais, físicas e mesmo atentados.

O artigo 140 do Código Penal, em seu terceiro parágrafo, define como injúria racial quando se ofende determinada pessoa ou grupo de pessoas por conta de sua raça, cor, etnia, origem ou religião. A pena de reclusão é de três anos e inclui multa.

Já o crime de racismo, segundo regulamentação da lei 7.716, de 1989, atenta contra uma coletividade ou certo grupo, geralmente com ofensas de caráter mais amplo. Entre exemplos de racismo podem estar recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, barrar acesso a entradas sociais em edifícios públicos ou privados e negar ou dificultar o acesso a um posto de trabalho. A pena também vai de um a três anos de reclusão e inclui multa.


Caó, ex-deputado baiano autor da lei que tornou racismo crime inafiançável


Um dos mais importantes nomes da luta contra o racismo no Brasil, o ex-deputado federal Carlos Alberto Caó de Oliveira, 76 anos, morreu no Rio de Janeiro no domingo 4 de fevereiro de 2018. Jornalista e advogado, Caó nasceu em Salvador e foi autor da Lei 7.437/85, conhecida como Lei Caó, que mudou o texto da Lei Afonso Arinos, de 1951, e tornou contravenção penal o preconceito de raça, cor, sexo e estado.

Como deputado constituinte, ele também foi responsável pela inclusão na Constituição Federal de 1988 do inciso ao artigo 5º que tornou racismo crime inafiançável e imprescritível. Depois, ainda foi autor da Lei 7.716/89, que regulamentou o texto constitucional determinando prisão para o crime de preconceito e discriminação racial no país.

Biografia

Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos – assim registrado no início da década de 80, por razões de identificação política, em substituição ao nome de batismo, Carlos Alberto Oliveira dos Santos – nasceu em Salvador no dia 24 de novembro de 1941. Era filho de Temístocles Oliveira dos Santos e de Martinha Oliveira dos Santos.

Sua trajetória política foi iniciada aos 15 anos, quando virou secretário da Associação de Moradores do bairro da Federação, cargo que exerceu de 1956 a 1959. Atuando também no movimento estudantil, de 1958 a 1959 foi vice-presidente do Centro Acadêmico Rui Barbosa, do Colégio Estadual da Bahia. Em 1960, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (FDUfba) e, em 1962, foi eleito vice-presidente de intercâmbio internacional da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Perseguido durante o regime militar, refugiou-se no Rio de Janeiro, onde passou a exercer a profissão de jornalista. Foi redator e editor político no jornal Luta Democrática até 1966 e trabalhou na Tribuna da Imprensa até 1968.

A partir deste ano, ainda no Rio, trabalhou em O Jornal e na TV Tupi, também como redator e editor político. Foi um dos fundadores e primeiro secretário-geral do Clube dos Repórteres Políticos, entidade criada para enfrentar a censura imposta pela ditadura militar.

Em 1970, foi submetido a julgamento na 6ª Região Militar, em Salvador, sendo condenado a dois anos de prisão. Permaneceu preso na cidade por seis meses, tendo sido libertado por decisão do Superior Tribunal Militar (STM), que considerou a pena prescrita.

Trabalhou ainda no Jornal do Brasil e, em 1974, na revista Veja. Envolvido com a atividade sindical, em julho de 1978 elegeu-se presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio, sendo reeleito em 1981, ano em que, a convite de Leonel Brizola, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Nas eleições de 1982 obteve a segunda suplência do PDT na Câmara dos Deputados e assumiu o mandato em 1983, licenciando-se, no mesmo mês, para exercer o cargo de secretário de Trabalho e Habitação do primeiro governo Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987). À frente da pasta, foi responsável pela implementação do programa Cada família, um lote — uma política habitacional alternativa à do Banco Nacional de Habitação (BNH) e dirigida às classes menos favorecidas — e pela instalação de um plano inclinado em favelas cariocas. Permaneceu no cargo até 1986, quando foi novamente suplente na eleição para deputado federal constituinte. Ainda em 1986, passou a integrar o diretório nacional do PDT.

Retornou à Câmara em janeiro de 1987, antes do início dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, em virtude da morte do deputado Giulio Caruso. Empossado como constituinte em 1988, foi um dos poucos parlamentares negros a participar da elaboração da nova Constituição, consagrando-se pela aprovação da emenda Caó, posteriormente regulamentada pela Lei Caó, que tornou a prática do racismo crime sujeito à prisão. Além desta, conseguiu incorporar cerca de 60 emendas à nova Carta Magna.

Em 1994, Caó candidatou-se ao Senado. Mesmo com 700 mil votos, foi derrotado. Em 1998 e 2002, voltou a se candidatar à Câmara dos Deputados, mas novamente sem sucesso. Viúvo, ele tinha dois filhos.

Com informações da Fundação Getúlio Vargas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Brumadinho - Não foi tragédia nem acidente FOI CRIME, FOI ASSASSINATO


A exemplo do que aconteceu há pouco mais de 3 anos (5 de novembro de 2015) em Mariana, causando a morte de 19 pessoas e enormes prejuízos a uma série de famílias e a toda uma região, além de danos ambientais, o mesmo crime se repete agora em Brumadinho, com consequências ainda mais graves.

Não é simplesmente uma tragédia, nem tampouco um acidente, é um crime e um assassinato que tem seus responsáveis diretos e indiretos.

Da empresa mineradora Vale e suas consorciadas, dos órgãos responsáveis pela fiscalização, dos governos ao judiciário, todos são responsáveis por cada uma das vidas destruídas, por cada uma das famílias que sofrem com tamanho e criminoso descaso.

Por outro lado, mostra que o modelo de sociedade e governança que vemos prevalecer em nosso país, privilegiando o capital e os lucros, em detrimento do ser humano e do meio ambiente, não tem a mínima preocupação com as vidas humanas e com o meio ambiente. Para eles, são efeitos colaterais.

Se estivéssemos em um país sério, aonde a lei fosse igual para todos, os responsáveis estariam presos, julgados criminalmente pela morte de várias pessoas e pela destruição ambiental.

VEJAM VÍDEOS SOBRE O CRIME DE BRUMADINHO:



sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Conheça 9 marcas famosas envolvidas com trabalho escravo

                       

Para elevar em escalas extraordinárias seus lucros, os capitalistas se utilizam de muitos meios, um deles é a mão de obra na condição análoga ao trabalho escravo, diminuindo ainda mais os custos na produção. O governo Temer cortou as verbas do Ministério do Trabalho para que possam investigar trabalhadores nessas condições e impôs barreiras para dificultar as fiscalizações, o que praticamente legaliza o trabalho escravo no Brasil. Hoje uma greve de auditores do trabalho em 21 estados brasileiros ocorreu em repudio a Temer.

Abaixo, veja 9 marcas que foram investigadas por trabalho análogo à escravidão:

1) Zara

Uma grande marca de roupas, com lojas por todo mundo, foi punida por trabalho escravo muitas vezes. Houve notícias nos anos de 2011, 2014, 2015, 2017. Todas as vezes por manter linhas de produção de suas roupas sob um regime de análogo a escravidão, chegando a ser multada em 5 milhões de reais. (fonte)

                           

2) Apple, HP e Dell

Todas essas empresas de produtos eletrônicos tem seus aparelhos montados em uma fábrica chamada Foxconn. Na china, esta empresa mantem seus funcionários em condições de risco, como exposição à produtos químicos, e são obrigados a assinar um termo de "não-suicídio" no contrato de trabalho. (fonte)

                           
3) Sadia e Perdigão

A empresa dona das marcas como Sadia, Perdigão, Batavo e Elegê, a Brasil Foods (BRF), foi condenada a pagar 1 milhão de indenização por manter trabalhadores em condição análoga a escravidão em Iporã, interior do Paraná.
(fonte)

                                        
4) Renner

A Renner, uma grande varejista de roupas com lojas por todo Brasil, foi responsabilizada por manter 37 costureiros bolivianos sob condição de trabalho escravo em São Paulo no ano de 2014. (fonte)

                        
Condições em que viviam uma família boliviana na oficina clandestina (direita)
5) Coca-Cola

Dois centros de distribuição de produtos da Coca-Cola em Minas Gerais identificou 179 caminhoneiros e ajudantes trabalhando por jornadas exaustivas, chegando a fazer me média 80 horas extras semanais.(fonte) Além disso
Foi acusada em investigação do The Independent de utilizar trabalho escravo em uma plantação de laranjas na Calabria, Itália com imigrantes africanos.

                           
6) M.Officer

Um casal boliviano foi encontrado produzindo peças da marca de roupas M.Officer no bairro de Bom Retiro, em São Paulo. Onde viviam e também trabalhavam era um lugar sem condições básicas nenhuma: não tinha cozinha, instalações elétricas irregulares e sem condições de higiene e limpeza. (fonte)

                             
7)Victoria’s Secret

A menina Clarisse Kambire de Burkina Faso em entrevista á Bloomberg (aqui) revelou ter sido forçada a plantar e a colher algodão sofrendo abuso físico. A unica medida da empresa foi retirar o selo do comércio justo, "fair trade", de suas marcas que deveriam em tese ser uma garantia contra a exploração dos trabalhadores.

                               
8) Pernambucanas

A rede das Lojas Pernambucanas, conhecida por comercializar produtos eletrodomésticos, eletrônicos, roupas e artigos de casa, teve roupas de uma de suas coleções outono-inverno produzidas sob condição de trabalho escravo. Foram 16 bolivianos encontrados na Zona Norte de São Paulo. (fonte)

                             
9) Marisa

A magazine de roupas Marisa se envolveu com trabalho escravo e foi denunciada duas vezes: em 2007 e 2010. A rede também utilizava mão de obra boliviana em regime análogo a escravidão na produção de suas peças. (fonte)

                               
                                     E mais um bônus: veja 250 empresas na "Lista Suja"

Apesar da resistência do governo Temer, que se recusava a divulgar os nomes da empresas denunciadas por trabalho escravo, veio a ser divulgada uma lista chamada "lista suja" com 250 lugares, dentre elas há fazendas de plantação, obras de universidades, obras de construção civil, carvoarias, entre outros.

Confira aqui a lista completa do Ministério do Trabalho.

Nova "lista suja do trabalho escravo" revela aumento da escravidão após o golpe



Por Redação de Esquerda Diário

Em 2017, o então presidente, Michel Temer tentou levar adiante medidas que flexibilizavam a fiscalização contra o trabalho escravo ou análogo a escravidão no país. Neste mesmo ano, houve uma queda de 50% nas verbas disponíveis para averiguação de novas denúncias que podem ser feitas. O número de locais de trabalho fiscalizados apresentou uma queda de mais de 40% e o número de operações de inspeção do trabalho mais de 58%.

Ainda assim, a quantidade de trabalhadores em condições análogas ao trabalho escravo no Brasil cresceu mais de 28% no ultimo ano em relação a 2017. Ainda que o número de estabelecimentos fiscalizados tenha diminuído cerca de 15%. Segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), que foi transferida do Ministério do Trabalho para o Ministério da Economia, agora dirigido pelo entreguista ultraliberal Paulo Guedes.

A última atualização da “lista suja do trabalho escravo” foi disponibilizada no inicio deste mês pela SIT, e conta com 202 empregadores que submeteram um total de 2.463 trabalhadores a tais condições. Dos 22 estados onde os autos foram registrados, o que teve o maior número de empregadores autuados foi MG, com 55 casos, agora nas mãos do ultraliberal e escravista Romeu Zema, que prepara um governo de empresários e muitos ataques aos trabalhadores.

Na maioria dos casos estes trabalhadores atuam no setor primário, agropecuária e extração de recursos naturais, mas também são encontradas nas cidades. De onde escrevo - Caxias do Sul (RS), segundo maior pólo metal mecânico do país – duas empresas compõem a lista.

A reforma trabalhista e a flexibilização das leis de terceirização, aprovadas ainda pelo golpista Temer para agradar os parasitas, permite que empresários precarizem postos de trabalho a tal ponto que podem ser definidos como semi-escravo, escondendo-se atrás de contratos curtos e responsabilizando terceiros pelas condições de trabalho em fábricas e oficinas que fabricam mercadorias para grandes marcas.

Principalmente agora, com a eleição de Bolsonaro e vários governadores neoliberais pelo país, as instituições estatais estão governadas politicamente pra atender os interesses dos capitalistas garantindo que o trabalho escravo continue existindo. Mesmo após autuados a única punição aos empresários são multas pagas com o mesmo sangue e suor dos trabalhadores que produzem seus lucros, alem de manter aqueles que perdem seus “empregos” vulneráveis a novas formas de escravidão. Uma medida muito mais eficiente para acabar com este tipo de crime capitalista seria estatização dos meios de produção de proprietários autuados, colocando-os sob controle dos trabalhadores e da população.

Mas para alcançar reivindicações como esta, além de revogar a reforma trabalhista, as leis de terceirização irrestrita e impedir que a reforma da previdência seja aprovada, fazendo-nos trabalhar até morrer, é necessário que o conjunto da classe trabalhadora retome a confiança em suas próprias forças. É preciso que os trabalhadores se organizem para exigir de seus representantes sindicais que rompam com o imobilismo. A CUT e a CTB devem deixar de lado a paz com Bolsonaro, e organizar um plano de lutas efetivo.