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segunda-feira, 16 de março de 2020

PREVENÇÃO CONTRA O CORONAVIRUS E OUTRAS DOENÇAS - Como fazer álcool em gel - caseiro


Mal começaram as divulgações de que uma das formas de prevenção contra o coronavirus, é o uso do álcool em gel e, já se registra uma corrida das pessoas para esvaziarem as prateleiras de supermercados e farmácias, em busca do produto.

Por outro lado, vários comerciantes exploradores se aproveitam da situação para aumentar os preços e lucrarem com o momento de terror causado pela epidemia.

Para fazer o álcool em gel caseiro, barateando os custos do mesmo, indicamos vários vídeos que orienta o como fazer: https://www.youtube.com/results?search_query=como+fazer+%C3%A1lcool+em+gel+caseiro

sexta-feira, 13 de março de 2020

Bispo Diocesano de Floresta participou de Encontro das CEBs em Guayaquil no Equador

Dom Gabriel no Encontro das CEB's em Guayaquil no Equador

Aconteceu nos dias de 9 a 12 de março, deste ano de 2020, em Guayaquil no Equador, o 11º Encontro Continental das CEB's com a participação de 225 delegados advindos de todos os países da América Latina, Caribe e Estados Unidos. Tendo como tema: “Escutando a Deus no Grito da natureza e dos pobres, defendemos a vida e promovemos o Reino de Deus”.

O Bispo Diocesano de Floresta PE, Dom Gabriel Marchesi, participou do encontro juntamente com outros representantes do Brasil, enriquecendo as discussões que ocorreram em todos esses dias, tendo como lema principal "ARTESANOS/AS DEL REINO EN COMUNIDAD".

Delegação brasileira presente ao Encontro em Guayaquil
As CEBs tem recebido o desafio de “colaborar com a obra do Espirito Santo para que as pessoas e comunidades sejam organizadas, justas e habilitadas”. O objetivo do Encontro Latino Americano é ”responder aos clamores dos pobres e da terra para recriar novos ministérios no cuidado, proteção e defesa da vida digna e da Casa Comum”. 

São 40 anos de caminhadas das CEBs desde o seu nascedouro nas inspirações do concílio Vaticano II e da Conferencia Episcopal de Medellín.

As comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na América Latina “são um convite a ser Igreja de Jesus e estar onde vive o Povo de Deus”.

Confiram outras fotos do Encontro:











CONFIRA DOIS VÍDEOS DE APRESENTAÇÃO CULTURAL DE UM GRUPO AFROEQUATORIANO:


quinta-feira, 12 de março de 2020

Remédio cubano contra coronavírus já teria curado 1500 pessoas na China

Foto: Ariel Cecilio Lemus/Granma
Por 

Cerca de 1.500 pacientes diagnosticados com o coronavírus foram curados pelo medicamento chamado ‘Interferon alfa 2B’ (IFNrec). O remédio é produzido desde 25 de janeiro na fábrica cubana Chang-Heber, localizada na cidade de Changchun, província de Jilin, na China.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, destacou que a descoberta do medicamento se deu graças à relevância do trabalho entre os dois países. “Nosso apoio ao governo chinês e ao povo em seus esforços para combater o coronavírus”.
‌‌‌Até agora, sabe-se que o ‘Interferon alfa 2B’ conseguiu curar mais de 1.500 pacientes e é um dos 30 medicamentos escolhidos pela Comissão Nacional de Saúde da China para curar a condição respiratória.
“O interferon alfa 2B tem a vantagem de que, em situações como essa, é um mecanismo para se proteger, seu uso impede que pacientes com a possibilidade de agravar e complicar cheguem a esse estágio e, finalmente, tenham a morte como resultado”, disse Luis Herrera Martínez, consultor científico e comercial do grupo de negócios BioCubaFarma.
Durante anos, foi feita uma transferência de tecnologia para a província chinesa, o que resultou na planta conjunta em que o produto é fabricado “exatamente com a mesma tecnologia que a nossa, e que responde aos padrões de qualidade aprovados pelas autoridades” de ambos os países, acrescentou Martínez.

Medicamento multiuso

O IFNrec também é aplicado contra infecções virais causadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), papilomatose respiratória causada por papiloma humano, condiloma acumulado e hepatite tipos B e C, além de terapias contra vários tipos de câncer.
‌‌Apesar do bloqueio econômico, financeiro e comercial que os Estados Unidos mantêm contra a ilha do Caribe, o sistema médico cubano tem sido reconhecido internacionalmente.
Por exemplo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) parabenizou a ilha em 2018 por alcançar a menor taxa de mortalidade em sua história, com 4,0 por mil nascidos.
‌‌Em 2015, recebeu o primeiro reconhecimento mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao eliminar a transmissão do HIV de mães para filhos e das bactérias causadoras da sífilis.
Vacina
O grupo BioCubaFarma trabalha também no projeto de desenvolvimento de um antiviral cubano, o cigb 210, bem como de um candidato a vacina para submetê-lo à consideração da China, além de faixas rápidas para o diagnóstico da doença.
Segundo o ministro da Saúde Pública de Cuba, José Ángel Portal Miranda, a ilha continua sem casos confirmados do novo coronavírus que já afetou 104 nações. Até o momento, trinta viajantes foram admitidos para estudo e depois de realizar sete novas análises especificamente para o Covid-19, que, como as oito anteriores, foram negativas, o país permanece sem a doença.
Nesta quarta-feira, no entanto, o noticiário de televisão cubana (NTVC) confirmou que três cidadãos da Itália, que estavam visitando Cuba, deram positivo para o coronavírus.
“A evolução dos três pacientes confirmados é favorável e até agora nenhum representa perigo para suas vidas”, informou o Ministério da Saúde Pública em nota divulgada pelo jornal Granma.
‌‌Leia mais sobre Cuba e o combate ao coronavírus aqui

segunda-feira, 9 de março de 2020

Valor pago para auxílio-paletó de parlamentares daria para sustentar 17 mil famílias

Por CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Com a atual crise que assombra os brasileiros, milhões voltaram à extrema pobreza, precisando de benefícios do governo, como o Bolsa Família. Existem atualmente 551 mil famílias na fila à espera do benefício. O valor é de R$ 85 por filho, não ultrapassando o valor máximo de R$ 306 por família.
 
Na contramão dos brasileiros que estão tentando sobreviver desempregados e sem renda, estão os parlamentares. Esses têm um salário de R$ 33.763 (35 vezes o salário mínimo atual), auxílio-moradia de R$ 4.253 ou apartamento de graça para morar, verba de R$ 92 mil para contratar até 25 funcionários, e verba de R$ 30.416,80 a R$ 45.240,67 por mês para gastar com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato e outras despesas.
 
Além disso, apenas o auxilio-paletó pago aos políticos do Congresso Nacional e de 16 assembleias legislativas no Brasil custa R$ 63,1 milhões aos cofres públicos, por ano. Esse mesmo valor poderia sustentar, por quatro anos, 17 mil famílias que vivem na extrema pobreza, com o benefício máximo do Bolsa Família, de R$ 306 mensais.
 
Em vez disso, no ano passado o governo fez o maior corte da história no benefício, excluindo do Programa Bolsa Família 1,5 milhão de famílias, o que representa 4,3 milhões de pessoas, a maioria crianças.
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Pixabay

As Guerreiras da Floresta: coragem e luta das Guajajara


Amazônia Real
Por:  10/01/2019 às 20:08
Há cinco anos um grupo de 32 mulheres atua na defesa da terra e na preservação da cultura na TI Caru, no Maranhão (Foto: Erisvan Guajajara/Amazônia Real)

Bom Jardim (MA) – “A mata, para nós, é como se fosse a nossa vida. Protegemos como a nossa mãe. Dependemos dela para manter nossas tradições culturais”. Usando um cocar que caracteriza a história viva de um povo que resiste há 518 anos de violações de direitos, Marcilene Guajajara faz essa afirmação. Ela é a atual coordenadora da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima). Marcilene fala com clareza sobre a importância da defesa da terra para os povos indígenas, como parte das Guerreiras da Floresta, um grupo de mulheres que atua em defesa do meio ambiente na aldeia Maçaranduba, na Terra Indígena (TI) Caru, no estado do Maranhão.

“Temos uma missão muito importante. Estamos mostrando a força da mulher dentro dos espaços de poder. E, juntas, podemos somar na luta, protegendo nosso território, mostrando que podemos ser protagonistas da nossa própria história”, ressalta a coordenadora Marcilene.

O trabalho da defesa territorial da Terra Indígena Caru, que possui 173 mil hectares e está homologada desde 1982, é uma batalha que vem sendo enfrentada há anos pelos Guardiões da Floresta, um grupo de homens que há mais tempo vêm realizando a proteção e defesa do território indígena. No território vivem os povos Guajajara e Awá Guajá.

Para somar nessa luta, em 2014, surgiu o grupo das Guerreiras da Floresta, formado por 32 mulheres do povo Guajajara, que atua junto ao grupo dos guardiões, na defesa da terra e na preservação da sua cultura.

Esse grupo de mulheres tem como objetivo fortalecer a luta em defesa da Mãe Terra, juntamente com os guardiões homens, combatendo a entrada de madeireiros, caçadores e “tiradores” de estaca, na defesa das terras e do rio Pindaré. Esse rio passa pela aldeia Maçaranduba e, também vem enfrentando todo tipo de ameaça que atinge a mata, considerada sagrada pelos povos que ali habitam.

Ocupando os espaços de fala
As Guerreiras Guajajara (Foto Erisvan Guajajara/Amazônia Real)

No começo, as guerreiras tiveram grandes dificuldades pela aceitação do grupo nas tomadas de decisões dentro da aldeia. Mas com muito empenho, garra e coragem, elas conseguiram ocupar os espaços de discussão dentro da comunidade. Representando o empoderamento da mulher indígena, elas “enfrentaram muitos obstáculos com falta de equipamentos e instrumentos para atuar juntos aos guardiões”, afirma dona Raimunda, que faz parte do grupo há cinco anos.

Raimunda, é uma das coordenadoras do grupo das guerreiras, e relata: “No começo foi difícil pra gente. Levávamos nossa comida em uma bolsa nas costas, fazíamos todo o percurso a pé, cavávamos um poço pra poder banhar e beber água, mas nunca desistimos, pois defender as nossas florestas, nossos frutos, nossas caças, sempre foi nossa missão. A mata, pra nós, é sagrada e tudo que precisamos encontramos nela”.

Devido à grande invasão na mata, o trabalho das guerreiras foi muito forte nos 16 povoados da Terra Indígena Caru . Nos três municípios que rodeiam a terra indígena – Alto Alegre do Pindaré, Bom Jardim e São João do Caru – as mulheres foram às escolas e promoveram um debate de conscientização para a população, falando sobre a importância da mata para os povos indígenas. Explicavam como seriam prejudicados se os não indígenas continuassem entrando em seu território e destruindo suas riquezas naturais. Foi então que as pessoas passaram a conhecer a importância da preservação das terras e da cultura do povo Guajajara e passaram a respeitar as tradições culturais desse povo. Com isso, e com a ajuda das guardiãs, foi diminuindo a exploração dentro do território.

“A vontade de defender nosso território corre em minhas veias. Já cheguei a levar minha filha, ainda criança, para uma ação. Ela ficou durante uma semana comigo na mata. Dormíamos no chão, mas a nossa resistência é que nos mantém forte para a luta”. Com essa fala de autonomia, Maisa Guajajara, que também é uma das coordenadoras da equipe, deixa claro que a terra é a vida dos povos e que sem ela não é possível sobreviver. Levar sua filha para uma missão é mostrar que a luta tende a ser continuada pelas futuras gerações, e o preparo das novas guerreiras começa ainda na infância.

Combate aos ilícitos
Guerreiras junto com os guardiões combatem a plantação de maconha (Foto: Erisvan Guajajara/Amazônia Real)

Em 2017, o Maranhão teve o pior índice de queimadas em seis anos, com 18 mil focos. As terras indígenas também foram atingidas e o trabalho das guerreiras, junto aos os guardiões, foi de grande importância para eliminar o fogo que tomava conta do território que precisava ser protegido.

Os Guajajara dependem da mata para manter suas tradições culturais sociais e ambientais. É dela que tiram sua sobrevivência e por isso praticam a sustentabilidade alimentar, preservando a floresta para as futuras gerações.

Quando as guerreiras vão para missão e encontram madeireiros ou caçadores dentro da terra, elas explicam para eles a importância da natureza para a vida dos indígenas e pedem para eles não entrarem mais na mata. Qualquer objeto que possa ameaçar a natureza é retirado deles sem nenhum tipo de agressão, como afirma Rosilene Guajajara, que também faz parte da equipe.

“O território em que vivemos é de uso exclusivo dos povos indígenas. Nenhuma pessoa pode chegar [aqui] e entrar para explorar as riquezas que a terra possui. Quando estamos em missão e encontramos alguém desmatando nosso espaço sagrado, pegamos os pertences que são usados para retirada de madeiras e alertamos para que o mesmo não se repita: tudo [é feito] com diálogo, sem nenhum tipo de agressão”.

As guerreiras estão planejando a realização de três seminários de integração nos povoados, falando, principalmente, da importância do rio para comunidade. Elas explicam para as pessoas que é necessário ter conscientização para ajudar a manter o rio vivo, pois acreditam que não adianta só os indígenas atuarem na defesa daquele território. O rio limpo e protegido fará bem para todos. Reforçar a importância de preservar a mata também será tema discutido durante o seminário.

Há dois meses, as Guerreiras da Floresta, juntamente com os Guardiões da Floresta, fizeram uma ação no território e encontraram plantações de maconha feitas por não indígenas. Os invasores plantam a erva e fazem a venda do produto para fora do estado. As guerreiras e os guardiões cortaram todo o plantio e tocaram fogo em tudo, impedindo que o produto fosse comercializado. Eles pedem, urgentemente, uma fiscalização mais rígida das autoridades cabíveis para apurar o caso.

Continuidade com os filhos
Guerreiras Guajajara pintando Andressa (Foto: Erisvan Guajajara/Amazônia Real)

Cícera Guajajara fala o quanto é importante o trabalho de proteção da terra para as crianças. “A primeira coisa que você tem que ter pra ser uma guerreira, é ter amor pelo seu território, pela sua comunidade e pela causa, pois essa luta não é fácil. Sempre conversarmos e respeitamos os mais velhos. Antes de qualquer missão, ouvimos sempre nosso cacique, que é uma grande liderança, e que muito combateu a entrada de madeireiros na nossa terra e em toda região. Toda essa luta é pelas nossas crianças e nossos jovens. Quando a gente não tiver mais forças, eles [os filhos] vão dar continuidade nesse trabalho de proteção da nossa mãe terra”. Cícera fala ainda que quando saem de casa para uma ação, sempre têm o pensamento do que irão encontrar pela frente.

“Quando vamos para a mata compramos alimentação para deixar para nossos filhos em casa e vamos com aquela sensação de perigo, sem saber os riscos que nos esperam. Vamos sem saber se voltamos para casa”, diz Cícera.

Hoje, graças a muito esforço e coragem, as guerreiras são reconhecidas pelo seu trabalho e servem de exemplo dentro e fora do estado do Maranhão. Elas já possuem transporte, equipamentos e todo tipo de proteção que precisam para atuar em campo.

Paulinha Guajajara cuida da comunicação. Com câmera fotográfica e drone, ela registra tudo que acontece durante a ação, e afirma a importância de ter todo material guardado para mostrar, principalmente na aldeia, o trabalho que é feito pelos guardiões e pelas guerreiras.

“É muito bom a gente fotografar e filmar tudo que encontramos no caminho, para quando retornarmos para nossa aldeia, mostrar para todas as lideranças como [é] que está a nossa mata, o quanto estão desmatando. E assim também eles conhecem como que é o nosso trabalho quando estamos em missão”, afirma Paulinha.

A mata é essencial para a vida dos povos indígenas e para todo o planeta. É por causa dela que ainda sobrevivemos até hoje, porque ela garante o ar puro que respiramos; a água que bebemos, e é a nossa fonte de riqueza. Por isso, a resistência dos povos indígenas continua, pois salvar o pouco do verde que ainda possuem nos territórios é uma missão que eles estão dispostos a enfrentar. Assim, eles continuam lutando e ensinando a nova geração como se integrar nessa luta, para que a terra seja preservada para todos, envolvendo as crianças indígenas, negras e brancas para que se tornem aliadas nessa luta.

Veja a entrevista em vídeo: https://youtu.be/i72eHKFozdU

segunda-feira, 2 de março de 2020

Sem médicos cubanos, explodem mortes de bebês indígenas


Foto: MINISTÉRIO DA SAÚDE

Após atingir níveis historicamente baixos em um período que coincidiu com a execução do Programa Mais Médicos, a mortalidade de bebês indígenas voltou a subir em 2019 — depois da saída de médicos cubanos que atuavam pelo programa — e retornou aos patamares anteriores à iniciativa.
Dados do Ministério da Saúde obtidos pela BBC News Brasil com base na Lei de Acesso à Informação mostram que, entre janeiro e setembro de 2019 — último mês com estatísticas disponíveis —, morreram 530 bebês indígenas com até um ano de idade, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2018.
Indígenas e especialistas no setor citam entre as causas para o aumento o fim do convênio entre o Mais Médicos e o governo de Cuba, no fim de 2018, e mudanças na gestão da saúde indígena no governo Jair Bolsonaro.
Logo no mês seguinte ao fim do convênio com Cuba, em janeiro de 2019, houve 77 mortes de bebês indígenas — o índice mais alto para um único mês desde pelo menos 2010, quando se inicia a série de dados obtida pela BBC News Brasil.
Os 301 cubanos contratados pelo programa respondiam por 55,4% dos postos de médico na saúde indígena. Desde a saída do grupo, o governo repôs a maioria das vagas com médicos brasileiros, mas muitos líderes comunitários dizem que houve uma piora nos serviços.
A principal causa das mortes dos bebês em 2019 foram algumas afecções originadas no período perinatal (24,5%), doenças do aparelho respiratório (22,6%) e algumas doenças infecciosas e parasitárias (11,3%). O índice de mortes de bebês indígenas em 2019 foi o maior desde 2012, quando houve 545 casos entre janeiro e setembro.
O Mais Médicos teve início no ano seguinte, em 2013. Entre 2014 e 2018, o indicador caiu para uma média de 470 mortes por ano.
Para calcular o índice de mortalidade infantil entre indígenas em 2019, seria necessário considerar o total de bebês nascidos no período — número ainda não disponível. Em 2016, o Ministério da Saúde lançou um programa para tentar reduzir esse índice em 20% até 2019. Naquele ano, havia 31,28 mortes de bebês indígenas por mil nascidos vivos — mais do que o dobro da média nacional (13,8). A maioria das mortes (65%) era causada por doenças e causas evitáveis.
O atendimento das comunidades nativas é uma atribuição da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), subordinada ao Ministério da Saúde. A secretaria gere 35 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), responsáveis pelos cuidados de cerca de 765.600 indígenas em todo o país.
Entre 2018 e 2019, houve aumento na mortalidade de bebês em 18 desses distritos, e em cinco deles o índice mais do que dobrou. Os distritos com mais mortes de bebês foram Yanomami (97), Alto Rio Solimões (54) e Xavante (47).
A maior variação ocorreu no DSEI Bahia. Entre janeiro e setembro de 2019, 11 bebês indígenas com até um ano morreram na região, número quase quatro vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2018 (3).
Sérgio Bute, indígena do povo pataxó hã-hã-hãe que preside o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) da Bahia, atribiu as mortes à saída dos cubanos e a problemas no transporte de pacientes e equipes de saúde. Ele diz à BBC News Brasil que a saída dos profissionais — 20 médicos cubanos atuavam no distrito — foi “um desastre grande”.
“Eles (cubanos) não faziam objeção, não criavam nenhuma dificuldade para ir na aldeia, conviver com a realidade. Com a saída deles, sentimos esse impacto”, afirma.
Desde o término do convênio, o governo promoveu três chamamentos para substituir os médicos cubanos por brasileiros. Bute diz que 17 dos 20 postos foram preenchidos e que o atendimento hoje está “melhorzinho”.
Mas ele afirma que vários médicos brasileiros evitam visitar as aldeias e não criam laços com as comunidades, o que prejudica a qualidade do serviço. A BBC News Brasil ouviu queixas semelhantes entre vários indígenas que participaram de um encontro de membros de 45 etnias na Terra Indígena Capoto Jarina, em Mato Grosso, em janeiro.
“Temos médicos brasileiros excelentes, mas também temos aqueles que aparecem no serviço uma vez por semana e vivem apresentando atestado”, diz Paulo Tupiniquim, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e membro do conselho de saúde do DSEI Minas Gerais e Espírito Santo.
“É uma postura completamente diferente da dos cubanos. Com eles não tinha tempo ruim: podia estar chovendo ou fazendo sol, eles tinham essa preocupação de levar o atendimento, de manter o contato com a população”, afirma.
Tupiniquim diz que os dados de mortes de bebês indígenas em 2019 “nos deixam horrorizados”. Ele afirma que “a saúde indígena sempre teve suas deficiências, mas, em 2019, com a mudança de gestão, a situação ficou pior em todos os aspectos”.
Em 12 de fevereiro, após vários protestos de indígenas, o Ministério da Saúde afastou a chefe da Sesai, a fisioterapeuta Silvia Waiãpi, e a substituiu por Robson Santos da Silva, que ocupava um cargo de diretor na secretaria. As manifestações também protestavam contra os planos do governo de municipalizar a saúde indígena — anunciados no começo de 2019 pelo ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, mas depois descartada.
Questionado pela BBC News Brasil sobre a alta nas mortes de bebês indígenas no último ano, o ministério enviou uma nota na qual diz que os óbitos de 2018 e 2019 ainda estão sob apuração e que é precipitado compara-los.
O convênio com Cuba teve um papel central no programa Mais Médicos, lançado pelo governo Dilma Rousseff em 2013 para levar profissionais a áreas desassistidas, principalmente em periferias urbanas, cidades do interior e comunidades indígenas.
Antes do fim da parceria, em 2018, os cubanos respondiam por 51,6% dos 16.150 médicos do programa. Cuba encerrou o vínculo quando Bolsonaro, então presidente eleito, fez uma uma série de críticas ao governo cubano e à participação do país caribenho no Mais Médicos.
Bolsonaro dizia que os médicos cubanos trabalhavam em regime de escravidão, pois tinham de deixar as famílias para viajar ao Brasil e porque 70% de seus salários ficavam com o governo cubano. Ele questionava ainda a qualificação dos médicos cubanos, que eram dispensados de revalidar seus diplomas no Brasil para participar do programa. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que passaria a exigir a revalidação para “expulsar” os cubanos do país.
A dispensa da revalidação também era criticada por associações médicas brasileiras, que cobravam o governo a rever a regra. Em 2017, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prática é legal.
Ao comunicar o término da parceria, o governo de Cuba criticou Bolsonaro por questionar “a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio das suas famílias, prestam serviços atualmente em 67 países”. A prestação de serviços de saúde é uma das principais fontes de receita de Cuba, que tem a maior relação de médicos por habitantes do mundo, segundo o Banco Mundial.
Com o fim do acordo, o país caribenho convocou seus médicos a deixar o Brasil entre 25 de novembro e 25 de dezembro de 2018. Parte do grupo, no entanto, permaneceu no país na esperança de ser recontratada.
Logo após o fim da parceria, ainda no governo Michel Temer, o Ministério da Saúde lançou um edital para tentar substituir os cubanos por médicos brasileiros. Boa parte das vagas foi preenchida, mas muitos selecionados desistiram. Desde então, houve outros dois chamamentos.
Sempre houve dificuldades para alocar médicos em comunidades indígenas. Em várias delas, os profissionais costumam ter de passar semanas nas aldeias, com acesso limitado a bens materiais.
Em dezembro, Bolsonaro assinou uma lei substituindo o Mais Médicos pelo programa Médicos pelo Brasil. A lei permite a readmissão de parte dos médicos cubanos que permaneceram no Brasil após o fim do convênio. O governo deve detalhar como se dará a readmissão nas próximas semanas.
Em nota à BBC News Brasil, o Ministério da Saúde diz que há hoje 343 médicos atuando pelo Mais Médicos e 30 vagas desocupadas em 16 distritos indígenas.
“Além destes profissionais, outros 111 médicos atuam na saúde indígena por meio das entidades conveniadas. Assim, não há impacto significativo no atendimento por ausência de médicos, uma vez que o atendimento à população indígena é multiprofissional, ou seja, uma equipe de saúde continua visitando periodicamente os pacientes”, diz o comunicado.
Especialistas avaliam, porém, que a presença de médicos nas equipes pode fazer a diferença nos casos em que os quadros não sejam óbvios ou os pacientes já estejam em situação vulnerável, caso de bebês desnutridos. Nessas situações, afirmam que diagnosticar e tratar os doentes rapidamente pode impedir complicações que os levem à morte.
Indígenas e servidores do Ministério da Saúde ouvidos pela BBC News Brasil citaram ainda, entre as causas para o aumento nas mortes de bebês indígenas em 2019, mudanças ocorridas na Sesai após a posse de Bolsonaro.
Servidores da Sesai que não quiseram ser identificados disseram que a secretaria afastou vários técnicos experientes que eram considerados próximos da gestão anterior. Uma das pessoas exoneradas era a principal responsável pelas ações contra a mortalidade infantil, a nutricionista Janini Selva Ginani. Também foram substituidos os principais gestores dos DSEIs, que, por sua vez, afastaram muitos profissionais de saúde que atuavam nas comunidades.
Segundo servidores, as mudanças teriam provocado uma ruptura nas atividades e alijado pessoas cruciais para a continuidade dos trabalhos. A situação teria se agravado no início do ano quando empresas conveniadas que prestam serviços de saúde nos DSEIs anunciaram não ter recebido pagamentos do Ministério da Saúde e interromperam atividades.
Já o Ministério da Saúde diz que “não houve suspensão de pagamento às entidades conveniadas”. “Cabe ressaltar que os DSEIs têm repasses mensais garantidos para pagar contratações nos três primeiros meses, após esse período, os repasses passam a ser garantidos de forma trimestral. Contudo, as entidades possuem saldos para honrar os pagamentos de seus profissionais que atuam nos DSEIs, não havendo prejuízo ou interrupção nos serviços”, diz uma nota do órgão.
Em diferentes partes do país, porém, houve protestos em que funcionários das conveniadas cobraram o pagamento de salários atrasados. O impasse durou vários meses. O mês de maio, durante o imbróglio, registrou o maior número de mortes de indígenas de todas as idades em todo o ano: 305, número 15% maior que a média mensal de mortes até setembro (264,7).
No DSEI Bahia, onde houve o maior aumento no índice de mortes de bebês, 148 motoristas contratados para transportar pacientes indígenas e equipes de saúde deixaram de trabalhar em março de 2019, após a Sesai encerrar o contrato que regia o serviço. O grupo não retomou as atividades até hoje.
O presidente do Conselho Distrital de Saúde da Bahia, Sérgio Bute, diz que a função tem sido exercida de forma improvisada por 19 servidores públicos. Sem motoristas suficientes, diz ele, muitos pacientes deixaram de ser levados ao hospital, e as visitas de equipes de saúde às aldeias ficaram menos frequentes.
“Isso tem contribuído com a questão da mortalidade”, afirma. Ele diz que houve casos em que moradores dirigiram as picapes da Sesai para que pacientes pudessem ser atendidos na cidade.
O Ministério da Saúde afirma que o contrato foi encerrado ao fim de seu período de vigência. “O processo de licitação, seguindo recomendação do Ministério Público Federal, está em andamento. Enquanto isso, o DSEI Bahia disponibilizou servidores para realizar tal função em caráter temporário. Além disso, foi autorizada a contratação emergencial de motoristas e garantido o recurso para que o DSEI possa manter o atendimento adequado até a finalização da licitação para a contratação regular do serviço”, diz a nota oficial.
Os dados obtidos pela BBC News Brasil mostram apontam para uma melhora expressiva após a implantação do Mais Médicos, embora os indicadores continuassem abaixo da média da população brasileira. De 2007 a 2013, segundo uma reportagem publicada em 2014 pela BBC News Brasil com dados do Ministério da Saúde, 40% de todas as mortes indígenas no país eram de crianças com até quatro. Desde 2015, o índice caiu para menos de 30% e fechou 2019 em 28%. A média brasileira é de cerca de 4,5%.
Outros indicadores tiveram uma variação menor na época do Mais Médicos, como o percentual de mortes de indígenas por doenças infecciosas e parasitárias, consideradas evitáveis. O índice passou de 8,2%, em 2013, para 7,2%, em 2018, ante uma média nacional de 4,5%.
Especialistas atribuem as melhoras não só aos Mais Médicos, mas também ao aumento nos atendimentos realizados pelas Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena. Encarregados da atenção primária, os grupos são compostos por outras categorias profissionais, entre as quais enfermeiros, nutricionistas e agentes indígenas de saúde e de saneamento.
Segundo um relatório da Sesai divulgado no início de 2019, a média de atendimentos realizados por essas equipes passou de 1,56 atendimento por habitante, em 2014, para 6,32, em 2017.
Professor de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em saúde indígena, Douglas Rodrigues diz que, quando bem estruturada, a atenção primária é capaz de resolver até 85% dos problemas de saúde de uma comunidade. Em 2019, porém, com a saída dos cubanos e a redução no número de outros profissionais, Rodrigues afirma que o setor sofreu um “apagão”.
Para o professor, além de repor as equipes, é preciso investir na formação dos agentes indígenas de saúde e de saneamento. Segundo ele, embora a ampliação do número de profissionais na saúde indígena na última década tenha sido benéfica, esse aumento relegou os agentes indígenas ao segundo plano.
“Os agentes passaram a se dedicar a funções secundárias, como entregar remédios, quando a ideia é que eles façam a ponte entre as equipes e a comunidade e que tenham um papel central nas ações de prevenção e de promoção de saúde”, diz Rodrigues. Uma das principais atribuições dos agentes, segundo o médico, é promover uma alimentação de qualidade nas comunidades — fator que influencia vários indicadores de saúde.
Rodrigues afirma que, após um período de grandes avanços na saúde indígena, os dados se estabilizaram. Para ele, a continuidade da melhora depende, em parte, de uma melhor articulação entre o SUS (Sistema Único de Saúde) e os serviços de saúde indígena. Rodrigues afirma que também há margem para ações pontuais que reduzam os altos índices de mortes por causas evitáveis, como resfriados que viram pneumomia.
Um exemplo seria a distribuição de inaladores nas aldeias. “Há várias tecnologias simples que podemos incorporar e que poderiam nos ajudar muito”, afirma.

Jovem de 20 anos morre vítima de bala perdida no Rio

Rebeca foi morta por uma bala perdida aos 19 anos neste sábado (29) no Rio — Foto: Reprodução/TV Globo
Rebeca Nunes dos Santos, de 20 anos, foi morta neste sábado (29) atingida por uma bala perdida na Estrada Grajaú-Jacarepaguá, a caminho do trabalho.
De acordo com testemunhas, houve troca de tiros quando uma cabine da Polícia Militar foi atacada na via, que liga a Zona Norte à Zona Oeste. A corporação diz que não revidou.
Rebeca foi encontrada perto de um ponto de ônibus, em frente a um bar, em Cachoeira Grande. O corpo foi reconhecido por tios, que foram até o local. Ela deixa um filho de dois anos.
“É um absurdo o que aconteceu. Vai ser mais uma na estatística. É mais um número, mas eu estou aqui para dizer o quanto nós sentimos. Não está certo isso, não tem que continuar acontecendo”, desabafa Gisele Brum, amiga da família de Rebeca.
A jovem foi levada pelos PMs para o Hospital Salgado Filho, onde chegou morta. Ela era atendente em uma lanchonete de Jacarepaguá. A mãe é professora de uma creche municipal no Lins.