PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA

PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA
CONHEÇA A HISTÓRIA E AS AÇÕES DO PONTO DE CULTURA EM FLORESTA/PE

CONHEÇA A TV RAÍZES DA CULTURA

CONHEÇA A TV RAÍZES DA CULTURA
ACOMPANHE NOSSO PROJETO DE COMUNICAÇÃO

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Em atitude totalmente contrária ao evangelho e anti cristã - Padres pró-Bolsonaro defendem uso de armas para legítima defesa de católicos

À direita, o padre Edvaldo Betioli aparece em centro de treinamentos de tiros em Atibaia
De O Globo:

Em sua conta pessoal no Twitter o presidente Jair Bolsonaro aproveitou a segunda-feira uma postagem de uma pregação católica para destacar uma de suas principais bandeiras: a defesa das armas de fogo. Bolsonaro retuitou um vídeo no qual o padre Paulo Ricardo de Azevedo afirma que os católicos têm direito à legítima defesa e, por isso, podem optar pelo uso do armamento.

O Deus obsessivo e politicamente incorreto de Bolsonaro


A ideia de Deus começa a se tornar, como nas piores teocracias, um curinga para encobrir políticas de obscurantismo



No discurso de posse do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a palavra mais usada foi Deus, fazendo honra ao seu lema de campanha, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Dá a impressão de que o Brasil deseja ser governado sob o amparo divino, mais do que sob as leis e a Constituição.

E não só o presidente, mas também seu recém-estreado ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que Deus estará “na diplomacia, na política, em todas as partes”. E chegou a individualizar essa presença forte de Deus em dois personagens emblemáticos do mundo atual: os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Bolsonaro. São eles dois que, segundo o diplomata, devolverão a Deus a uma civilização que o tinha perdido.

Trata-se, entretanto, de um Deus ambíguo e politicamente incorreto, já que apresentado como representante da civilização cristão-judaica. Não é o Deus que deve libertar os escravos da pobreza e da injustiça, o Deus dos que sofrem por serem diferentes, o dos excluídos dos privilégios, e sim o que adoram os satisfeitos, o vingador mais que o pacificador. O Deus da violência mais que o desarmado das bem-aventuranças.

Um Deus que infunde medo nos que deveria acolher sob sua proteção. É um Deus que se faz ouvir só através das ordens, gritos e armas do poder, não o que fala no silêncio dos corações em busca de paz e de diálogo.

Basta, entretanto, observarmos os países que colocaram Deus “acima de tudo e de todos”, e seus resultados. Costumam ser não só os mais autoritários e atrasados, mas também aqueles onde os pobres e as minorias sofrem com mais força a injustiça e a violência. O Brasil, é verdade, sempre foi um país, como quase toda a América Latina, com uma forte presença religiosa nas massas populares. Tratava-se, entretanto, mais de uma postura pessoal, como refúgio contra a dor e as dificuldades da vida. Agora, no Brasil, estamos numa fase nova e mais perigosa. A bandeira de Deus é hasteada por um presidente que parece querer governar em seu nome.

A ideia de Deus – que deveria ser conjugada, no máximo, com os movimentos de liberação dos oprimidos e marginalizados – começa a se tornar, como nas piores teocracias, um curinga para encobrir políticas de obscurantismo. O Brasil passou da teologia da libertação de raiz católica, baseada na mensagem marxista da luta contra a injustiça, à conservadora “teologia da prosperidade” dos evangélicos, que promete novas utopias que adormecem as injustiças.

O novo Governo de Jair Bolsonaro, o presidente apaixonado em igual medida por Deus e pelas armas, vai necessitar de uma oposição para que a obsessão do “Deus acima de todos” não se transforme numa perigosa idolatria. Nada mais explosivo para a democracia que uma presença obsessiva da sombra de Deus por parte dos que governam um país laico por constituição.

Alguém terá de explicar aos evangélicos de boa fé, que são a grande maioria, e também os mais castigados pelas injustiças sociais, que Deus, mais que uma bandeira nas mãos de conservadores e políticos que o anulam como propriedade, deveria ser uma força de resistência contra as desigualdades sociais e as intolerâncias. A excessiva presença de Deus na política acaba sempre se tornando um oculto e cruel inimigo dos que sempre pagam o preço da opressão. Os piores ditadores, de qualquer cor política, acabaram convertidos em grandes apaixonados por Deus.

Nada pior para as massas mais desamparadas, sobre as quais recai sempre o peso da violência econômica e social, que um Deus ambíguo, transformado em arma para castigar, mais que na alvorada de uma ressurreição de seus sonhos. Nada menos cristão que frustrar, em nome de Deus, os sonhos dos que mais sofrem. Nada pior que tentar governar pelas mãos de Deus. Nada mais perigoso que o Deus que teme a discussão das ideias e a pluralidade dos desejos.

Não acredito que o sonho dos brasileiros, até dos mais pobres, seja o Deus militarizado que impõe uma obediência cega. Eu os vejo mais como seguidores do Deus dos limpos de coração, como aqueles que, mais que a justiça divina, temeram sempre a violência arbitrária dos que os escravizam. Sempre em nome desse Deus, curinga para justificar todas as opressões. O Deus dos escravos nunca será o Deus com o qual o poder mercadeja.

A luta dos povos indígenas para preservar sua cultura

Aldeia Luz da Paz em São Paulo
Vítimas de preconceito e violência desde a chegada dos europeus ao Brasil, indígenas seguem resistindo
Por: Isabela Alves
Muitas histórias teriam diferente repercussão se fossem contadas com outro ponto de vista. Há 517 anos, os povos indígenas já moravam nas terras brasileiras. Os colonizadores, por sua vez, se depararam com uma terra fértil, cheia de riquezas, água potável e o povo indígena despido.
“O nome índio quem deu foram os assaltantes dessa terra, o Brasil já era descoberto muito antes deles chegarem”, comenta José Carlos Lucas, 60 anos, músico e médico espiritual indígena.
Com o ‘descobrimento’ do Brasil, esse povo sofreu diversas violações, o que é pouco lembrado nos livros de história. “De acordo com relatos de pajés mais velhos, muitos não aceitaram ser escravos e tiveram que se separar, fugir ou foram assassinados”, conta o músico.
Os portugueses possuíam armas de fogo, enquanto os indígenas só tinham arcos e flechas. Os índios perderam suas terras e a liberdade para exercer sua cultura. Ainda hoje, o povo indígena luta para ter seu espaço respeitado e apenas deseja que sua cultura não desapareça.
“O Brasil é o único país que não dá valor a suas raízes, mas todos são um pouco índios. Existe violência contra a cor da pele, mas o espiritual é só um, o que importa mais é o ser da pessoa, todos são a mesma coisa”, afirma José Carlos.
Aldeia Tenondé-Porã
Atualmente, existem 896,9 mil indígenas em todo o território nacional, segundo o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Entre as regiões do Brasil, a maior parte está concentrada na região Norte, com 342,8 mil indígenas, e a menor no Sul, com 78,8 mil.
Entre as principais etnias indígenas brasileiras na atualidade estão a Ticuna (35.000), Guarani (30.000), Caiagangue ou Caigangue (25.000), Macuxi (20.000), Terena (16.000), Guajajara (14.000), Xavante (12.000), Ianomâmi (12.000), Pataxó (9.700) e Potiguara (7.700).

A preservação da cultura versus a tecnologia
Um dos grandes desafios para muitos desses povos é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de preservar a própria cultura e a de se adaptar às mudanças no mundo. Um exemplo disso é o uso ou não da tecnologia dentro das aldeias. Em muitas delas, hoje já é possível encontrar televisões, celulares e notebooks.
“Não é que o índio deve ficar pelado, fumando cachimbo, o índio também evolui. Deve-se usar o celular, mas minha crítica sobre o uso do celular é para todo mundo, é uma questão de consciência. Todo mundo está jogando tudo em cima do celular, a internet dita o que devemos fazer com a nossa vida”, afirma José Carlos.
Enquanto os mais velhos buscam a preservação dos antigos costumes, alguns índios mais jovens buscam mais inclusão e seu lugar no mundo.
“As grandes cidades oferecem muitas facilidades, oferecem shopping, tênis, celular de última geração, e até as crianças de hoje em dia não querem mais saber de brincar na rua. O que se esperar de uma sociedade assim?”, observa o músico.
Aldeia Tenondé-Porã
Localizada em Parelheiros, zona Sul de São Paulo, a Aldeia Tenondé-Porã surgiu em 1987 e abriga 800 indígenas. Na aldeia, a comunicação entre os índios é sempre feita em guarani, sua primeira língua, e posteriormente os índios aprendem o português para que possam se comunicar com os visitantes.
Adriano Karaí Poty, coordenador do CECI
O Centro de Educação e Cultura Indígena Tenondé Porã (CECI) surgiu como uma exigência do governo para que as crianças da tribo não ficassem sem estudar. “Antigamente os princípios básicos de educação vinham da família, como respeitar a natureza, fazer artesanato e defender a nossa cultura. Quando surgiu o CECI, ele foi criado para atender o máximo de exigências nossas”, explica Adriano Karaí Poty, coordenador do CECI.
De acordo com o coordenador, os livros de história mal são usados, porque neles é mostrado apenas o ponto de vista do colonizador. “Os livros de história não falam que os bandeirantes mataram os índios para serem grandes hoje. Eles contribuíram para a perda de várias culturas indígenas, a morte de várias línguas e também houve a imposição da igreja nas comunidades”, explica Adriano.
De acordo com a Lei nº 11.645, de 20 de dezembro de 1996, é obrigatório o estudo da história da cultura afro-brasileira e indígena no ensino fundamental e ensino médio nas escolas públicas e privadas, para ressaltar a importância dessas culturas na formação da sociedade brasileira, mas, na prática, a lei não é aplicada como deveria.

Poucas escolas retratam o sofrimento e a luta indígena. Os livros reforçam uma imagem estereotipada dos indígenas e os mostra como pessoas que trocaram todas as suas riquezas por um espelho, que não possuíam alma por não serem catequizados, e que viviam preguiçosamente.
“No 19 de abril, Dia do Índio, tem festa de comemoração e um flash sobre a história. Mas chega a ser ridículo, porque o índio não é nada disso do que retratam nas escolas. A gente não se comunica com fogo e tambor, mas é o que eles passam”, afirma José Carlos Lucas.
Aldeia Luz da Paz
Localizada em Santana de Parnaíba, zona oeste de São Paulo, a Aldeia Luz da Paz é um centro espiritualista de crenças indígenas. Fundada em 2015, ela é um local onde se realizam orações, cânticos, cerimônias, ensinamentos da cultura e práticas do xamanismo ancestral.
Márcio Freitas, xamã da Aldeia Luz da Paz, e sua esposa
O xamã, também chamado de pajé, é um líder espiritual que, segundo acreditam os indígenas, recebe dons divinos, como poderes de profecia e cura.
“Eu recebi o meu dom aos 42 anos de idade. Hoje em dia existem poucos pajés e xamãs dentro da aldeia, porque muitos índios estão morando em casas como o homem branco. As aldeias aqui em São Paulo agora têm posto de saúde e os índios não estão mais se interessando muito por essa medicina”, comenta Márcio Freitas, de 46 anos, xamã da Aldeia.
Além da dificuldade de manter as culturas indígenas vivas, esses povos também enfrentam o desafio de preservar suas terras. A PEC 215 ilustra bem isso. A Proposta de Emenda Constitucional propõe delegar ao Congresso Nacional a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação no Brasil. A PEC também garante indenização em dinheiro aos proprietários das áreas demarcadas, além de incluir o marco temporal em que os povos indígenas e quilombolas só teriam direito à terra se estivessem nela em 5 de outubro de 1988. Na prática, isso gera rivalidade entre os produtores rurais e os indígenas.
Setores do governo acham que o índio é vagabundo, que não produz, mas na verdade, isso é uma luta de todos, independentemente se é índio ou não, porque se trata da preservação da natureza. Para nós, falta um pouco de sensibilidade do próprio povo da cidade, porque quer passar por cima de tudo. O agronegócio é importante, mas a vida das pessoas que moram nessas terras também é”, destaca José Carlos Lucas.
O direito ao território ancestral é uma garantia fundamental da Constituição, porque a terra é parte essencial da vida dos índios. Sem ela, condenam-se povos inteiros à morte física (genocídio) e cultural (etnocídio).

Um discurso inesquecível na defesa dos povos indígenas



Em setembro de 1987, Ailton Krenak, em discurso histórico no Congresso durante a Constituinte, falou:  “O povo indígena tem um jeito de pensar, de viver, que não coloca em risco sequer a existência dos animais que vivem em sua volta, quanto mais dos outros seres humanos. 

E hoje nós somos alvos de uma agressão que pretende atingir na essência a nossa fé, a nossa confiança de que ainda existe dignidade, de que ainda é possível construir uma sociedade que sabe respeitar os mais fracos, que sabe respeitar aqueles que não tem dinheiro pra fazer uma campanha incessante de difamação, que saiba respeitar um povo que sempre viveu a revelia de todas as riquezas. 

Um povo que habita casas cobertas de palha, que dorme em esteiras no chão, não deve ser identificado de jeito nenhum como um povo que é inimigo dos interesses do Brasil, e que coloca em risco qualquer desenvolvimento. 

O povo indígena tem regado com sangue cada hectare dos 8 milhões de km2 do Brasil. E os senhores são testemunhas disso.”

Brasileira PhD em Harvard supera fome e preconceito e soma 56 prêmios na carreira


Joana D’Arc Félix de Souza, 53 anos, superou a falta de estrutura na educação, fome e o preconceito por ser mulher e negra e tornou-se uma cientista PhD em química pela renomada Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

Atualmente soma 56 prêmios na carreira, com destaque para a eleição de ‘Pesquisadora do Ano’ no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).

Nascida na cidade de Franca, interior de São Paulo, filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume.

A mãe empregada doméstica, ensinou a filha ler através de jornais na casa da patroa para que a Joana ficasse quieta enquanto ela trabalhava.

“Um dia, a diretora da escola Sesi foi visitar a dona da casa e perguntou se eu estava vendo as fotos do jornal. Respondi que estava lendo. Ela se surpreendeu, me pediu para ler um pedaço e eu li perfeitamente. Coincidentemente, era começo de fevereiro e ela sugeriu que eu fosse uns dias na escola. Se eu conseguisse acompanhar, a vaga seria minha. Deu certo e com 14 anos eu já terminava o ensino médio”

Ela escolheu cursar química pois estava acostumada a ver profissionais da área atuando com o couro, devido ao trabalho de mais de 40 anos do seu pai. “Uma professora tinha um filho que fez cursinho e pedi o material para ela. Meu pai e minha mãe não tinham estudo, mas me incentivavam. Eles tinham consciência de que eu só cresceria através de estudos”, relembra. “Passei a estudar noite e dia até entrar na Unicamp [Universidade Estadual de Campinas].”

A pesquisadora relembra do preconceito que sofreu, porém não se deixou abalar até conseguir o tão sonhado diploma. “O Brasil ainda é um país racista. Pode estar um pouco mais escondido, mas isso ainda existe. Mas não usei isso como obstáculo, e sim como uma arma para subir na vida”

Durante a faculdade, passava fome e pensou em desistir, mas seguiu em frente com determinação. A situação só melhorou quando ganhou um auxílio para a iniciação científica. “Quando recebi a primeira bolsa, corri para a padaria e gastei uns R$ 50 em doces para matar a vontade.”

Estimulada por professores a seguir na vida acadêmica e encantada pelo campo de pesquisa, Joana ainda concluiria mestrado e doutorado em Campinas – este último com apenas 24 anos. Um dos artigos da cientista saiu no Journal of American Chemical Society, e logo ela recebeu o convite para seguir os estudos nos Estados Unidos.

Concluiu o seu pós doutorado na Universidade de Harvard. Foi solicitado que ela aplicasse em seu trabalho um problema brasileiro, e ela optou pelos resíduos de curtume nas fábricas de calçados – ela desenvolveu dessas substâncias poluentes um fertilizante organomineral.

Joana foi questionada sobre a condição de trabalho em solo americano e no seu país natal, a cientista apontou um fator que faz muita diferença. “Nos Estados Unidos, eu pedia um reagente químico e em duas ou três horas conseguia. No Brasil, até eu arrumar dinheiro, fazer solicitação… Aqui tem mais burocracia. A questão de financiamento para pesquisa é bem mais rápida nos Estados Unidos”.

A morte de sua irmã de 35 anos por parada cardíaca – mesma causa do falecimento do pai – foi o motivo que a trouxe de volta ao Brasil, para cuidar da mãe e de quatro sobrinhos deixados pela irmã.

Novamente em Franca, a cientista procurou oportunidades em curtumes da cidade natal até que recebeu o convite para se tornar professora da ETEC em 2008. Joana ainda comandou pesquisa que resultou na produção de um tecido ósseo feito a partir de materiais também encontrados na natureza: escamas de peixes e colágeno de curtume.

300 dias - Quem Matou Marielle e Anderson



A não identificação dos mandantes e executores desse crime é responsabilidade do Estado, que não investiga e nem dá condições para uma investigação independente. Só poderemos impor justiça por Marielle com a mobilização e uma grande campanha política.

Por Redação de Esquerda Diário

Marielle foi assassinada para calar uma voz contra os golpistas e seus ataques. O assassinato mostrou a farsa dessa democracia burguesa, onde matam impunemente uma parlamentar mulher, negra e de esquerda.

A resposta ao assassinato foi imediata, com dezenas de milhares indo às ruas gritar “Marielle presente!” e “Não à intervenção no Rio de Janeiro” um dia depois de seu assassinato e de seu motorista, Anderson.

O rechaço massivo nas redes sociais e os atos em todo o país ecoaram um grito exigindo justiça por Marielle, mas também um sentimento político contra a intervenção federal, a violência policial e os avanços sobre os direitos que burguesia vem fazendo desde o golpe institucional.

A direita não se calou frente a essa comoção social e o descontentamento político, não faltaram “fake news” tentando desmoralizar a militância política de Marielle Franco, associando-a ao Comando Vermelho e ao crime organizado.

A direita mais reacionária também não perdeu tempo em ridicularizar a morte da vereadora do PSOL, Bolsonaro declarou ao Globo que se tratava de “mais uma morte no Rio de Janeiro” e o pastor Marco Feliciano fez uma piada nojenta dizendo que “a última vez que deram um tiro na cabeça de um esquerdista a bala demorou uma semana para achar o cérebro”. Esses dois representantes da direita racista, LGBTfóbica e machista apoiadores da intervenção federal no Rio deram o tom reacionário das críticas ao assassinato de Marielle, se colocando contra milhões de mulheres e homens trabalhadores, negros e negras, que rechaçavam em todo o país.

O assassinato de Marielle não só acentuou o debate sobre a intervenção federal e a violência estatal sobre o povo negro e de favelas, mas também a própria condução das investigações pela polícia civil do Rio de Janeiro, em particular a divisão de homicídios.

Uma investigação que não dá respostas

Desde seu assassinato até os dias de hoje, seis meses depois do ocorrido, pouco se sabe acerca da investigação. Sabe-se que as câmeras das redondezas de onde ocorreu o crime, no bairro do Estácio, Zona Norte do Rio foram desligadas um dia antes, fato que impossibilitaria de registrar a fuga dos criminosos. As armas usadas no dia do crime eram de uso restrito das forças de elite da polícia do Rio de Janeiro, submetralhadoras de alta precisão (calibre 9mm) e com silenciadores. Se aventou, inclusive nas mídias burguesas que se tratava de assassinos especializados, familiarizados com o uso específico daquelas armas.

A mídia ainda circulou a notícia da morte de um "líder comunitário" da Taquara, Zona Oeste do Rio como uma morte de queima de arquivo relacionada ao caso Marielle.

"Mônica Benício, companheira de Marielle, 
denunciou recentemente a precariedade da investigação 
porque só agora vieram pedir a senha 
do celular da vítima para perícia".

Mônica Benício também denunciou as ameaças de morte sofridas por ela, que evidenciam o quão frágil e inconsistentes são essas investigações que sequer intimidam os culpados.

Depois da hipótese investigativa de serem setores ligados diretamente às milícias, vários meses depois, há uma hipótese bem diferente, envolvendo a alta cúpula do PMDB do Rio. 

Foi isso que Marcelo Freixo também destacou, quando concedeu uma entrevista à revista Veja na qual relatou a possibilidade de serem os deputados do MDB (Jorge Picianni, Paulo Mello e Edson Alertassi) os mandantes do crime.

Fato é que nem os mandantes, nem os executores foram achados e que a investigação do assassinato de Marielle parece sem solução. Está demonstrado cabalmente como são investigações que não se pode confiar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Dois sem-terra assassinados e ‘jagunço’ diz que Bolsonaro autorizou matar ‘bandidos’ – outros sete ficaram feridos



Dois homens morreram e outras sete pessoas ficaram feridas durante um confronto armado na madrugada de sábado (05), nas terras griladas pelo governador Silval Barbosa e o deputado José Geraldo Riva, denominadas Fazenda Agropecuária Bauru (Magali), em Colniza (a 1006 quilômetros de Cuiabá).

colzina-min
Colniza é um município brasileiro do estado de Mato Grosso. Sua população estimada em 2018 era de 37 280 habitantes. Colniza foi elevada à categoria de cidade em 1998, com a criação do município.
Na fazenda estão acampados seguranças da empresa Unifort, de propriedade de João Benedito da Silva Neto, ex-sargento da Polícia Militar do Mato Grosso, que atende pelo apedido de Jagunço Olho do Cão. 

Segundo o site O DOCUMENTO, apesar de nenhum documento ter sido apresentado, o representante da Unifort, e chefe dos seguranças e jagunços, João Benedito da Silva Neto diz que a fazenda está legalizada e se sente no direito de matar os trabalhadores rurais. “A fazenda é do Riva, houve invasão dos sem-terra, que agora não é mais sem-terra. Segundo Bolsonaro são bandidos… morreram dois bandidos e cinco baleados, estão no hospital…Estou subindo pra Colniza com mais 15 homens pra reforçar lá”.

Existem cerca de 200 membros da Associação Gleba União que residem no local, e vivem do plantio de lavoura de subsistência. Eles afirmavam que só deixariam o local se Riva e/ou Sinval apresentassem documentos que comprovassem a posse da terra de 46 mil alqueires. Há quatro meses, o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça de Colniza, oficiou o Governo do Estado sobre risco de conflito armado no local. A preocupação é que ocorra uma tragédia como a chacina de abril de 2017, na qual nove pessoas foram mortas naquela região – área de desmatamento florestal, e dominada pelo tráfico internacional de madeira nobre. 

Fazenda citada em delação do governador corrupto

A fazenda em questão foi citada pelo ex-governador do Estado Silval da Cunha Barbosa em sua delação premiada. Ele declarou que negociou com o ex-deputado José Geraldo Riva a compra de uma fazenda pela quantia de R$ 18 milhões no município de Colniza, denominada “Fazenda Bauru”. O delator disse que pagou apenas R$ 4,5 milhões neste contrato, pois a compra não foi para frente. Admitiu que valor para a aquisição era oriundo de propinas do programa “MT Integrado”.

Et Urbs Magna via O Correspondente